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Bebé morre depois de médico se ter esquecido de vírgula ao passar receita

Bebé morre depois de médico se ter esquecido de vírgula ao passar receita

O Ministério Público do Amazonas está a investigar a morte de um bebé de dez meses, que morreu no domingo, no Hospital Público de Santo António do Içá, no Brasil.

Henzo Elias chegou ao hospital com vómitos e febre e foi internado naquele hospital. O médico que o atendeu receitou-lhe dipirona e 25 miligramas de prometazina, medicamento usado para combater reações alérgicas.

Depois de a medicação ser aplicada, o estado de saúde do bebé piorou. Rómulo Souza, pai de Henzo, contou à "Globo" que foi chamado pelo médico, que corrigiu a receita para 2,5 miligramas do remédio.

"O meu filho já estava muito doente depois de dois dias. O médico chamou-me em particular e pediu-me a receita. Mostrei-lhe a cópia e ele acrescentou um ponto [entre o 2 e o 5]. Disse «errei aqui». Fiquei a pensar «será que ele quis apagar a prova?»", denunciou Rómulo.

O menino foi transferido para o Hospital do Exército na passada quarta-feira, mas não resistiu. Na certidão de óbito da criança consta que a causa da morte foi um edema cerebral e uma hemorragia cerebral.

O médico não está registado no Conselho Regional de Medicina. Segundo Carlos Firmino, promotor de Justiça, tanto o médico como quem fez a contratação podem ser suspensos.

Em março deste ano, o Tribunal de Contas do Estado do Amazonas questionou o município de Santo António do Içá por contratar cinco médicos sem registo para trabalhar na cidade. O homem tem diploma de medicina da Bolívia, mas não possui validação para trabalhar no Amazonas, uma vez que não está inscrito no Conselho Regional de Medicina nem está vinculado ao "Programa Mais Médicos" do Governo Federal.

O Ministério Público do Amazonas está a investigar possíveis crimes de negligência, exercício ilegal da medicina e até crime de homicídio.

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