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Bebé retirado do útero para ser operado a meio da gravidez

Bebé retirado do útero para ser operado a meio da gravidez

Uma equipa de médicos retirou o feto do útero da mãe para corrigir uma problema de saúde da bebé. Depois de operada foi recolocado na barriga da mãe, que aguarda pelo fim da gravidez.

Bethan Simpmson descobriu que a bebé tinha um problema numa ecografia de rotina, às 20 semanas. O perímetro encefálico não tinha a medida esperada e a medula espinal não estava completamente desenvolvida.

O diagnóstico de espinha bífida, uma malformação genética que causa deficiência nas crianças, deixou os pais perante três soluções: terminar a gravidez; continuar e aceitar os riscos inerentes à condição; fazer a operação ao feto para corrigir o problema.

"Tínhamos de o fazer", disse Bethan Simpmson, que não teve dúvidas em escolher a terceira opção. "Cumprimos critérios restritos para poder fazer a operação. Fiz amniocentese, ressonância magnética e ecografias várias", disse a gestante, de 26 anos, em declarações ao jornal britânico "The Independent".

A cirurgia foi aprovada a 17 de dezembro e realizada a 8 de janeiro, no Hospital Universitário de Londres. Médicos do Grande Hospital de Ormond conduziram a operação. Retiraram a bebé da barriga da mãe e voltaram a colocá-la no útero após a cirurgia.

Numa atualização no Facebook, três semanas e meia após a operação, Bethan contou que "a cabeça da bebé retomou a forma normal" e que "os médicos já não conseguem ver onde estava a lesão" na espinha da bebé. "É incrível".

Segundo a gestante, que deverá dar à luz em abril, o maior problema é que os pontos no útero causam desconforto, agravados pela "vontade da menina em dar pontapés" naquela zona. "A bebé está a crescer bem e o perímetro encefálico dentro de valores normais", acrescentou.

Segundo o "The Independent", foi a quarta vez que tal operação foi feita no Reino Unido. O mesmo tipo de cirurgia pode ser feito após o nascimento em crianças com espinha bífida, mas o resultado não é suficiente para que a criança recupere todas as funções, nomeadamente motoras, afetadas pela malformação.

"Não é uma sentença de morte. Ela tem o mesmo potencial que qualquer um de nós", disse Betham Simpson, lastimando que 80% das mulheres na mesma situação opte por terminar a gravidez.

"Claro que há riscos, mas tenham em mente que a espinha bífida já não é o que era. Todos os dias sinto os pontapés da minha filha. É muito especial, faz parte da história e mostrou-nos o quanto merece esta vida", disse Bethan Simpmson.

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