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Berlusconi alterou provas e pagou a testemunhas no "caso Ruby"

Berlusconi alterou provas e pagou a testemunhas no "caso Ruby"

O ex-chefe do governo italiano Silvio Berlusconi, condenado a sete anos de prisão por abuso de poder e prostituição de menores no "caso Ruby", nunca deixou de falsificar provas e corromper testemunhas, indicou o tribunal de Milão.

Nos considerandos da sentença, publicados esta quinta-feira pelos "media" italianos, o tribunal nota "a capacidade" de Berlusconi de "persistir na deliquência", nomeadamente, através "da alteração sistemática de provas" e "compra de testemunhas".

Ficou também provado, acrescentam os juízes, que Berlusconi era o "encenador das exibições sexuais das jovens mulheres, tendo sido quem deu "luz verde" às ditas noitadas "Bunga Bunga" durante as quais as convidadas de sexo feminino deviam ser ativas para satisfazes os seus desejos".

A 24 de junho passado, o magnata dos "media" foi condenado, no âmbito do caso "Ruby", nome da jovem marroquina alvo das atenções de Berlusconi. Além da pena de prisão, Berlusconi recebeu uma proibição vitalícia de exercer um mandato público.

O ex-primeiro-ministro italiano apresentou recurso e um novo processo está previsto para o próximo ano.

De acordo com os juízes, "ficou provado" que Berlusconi "manteve relações sexuais com "Ruby" em troca de dinheiro ou objetos de valor, como joias".

"Sem qualquer dúvida possível, o condenado sabia que 'Ruby' era menor" de idade, tendo em conta a cronologia dos factos, documentos fornecidos durante o processo e depoimentos, acrescentaram.

A marroquina estava "bem inserida" no sistema de prostituição de Arcore, na residência do antigo chefe do governo italiano, indicaram os juízes, que sublinharam as "fortes pressões" de Silvio Berlusconi para que o processo fosse arquivado.

Os juízes disseram ter ficado provado que, na madrugada de 28 de maio de 2010, durante a qual "Ruby" foi detida por presumível roubo, Berlusconi "telefonou ao chefe de gabinete da prefeitura para obter a libertação da jovem".

O então primeiro-ministro, que se encontrava em Paris, afirmou que a jovem era a sobrinha do presidente egípcio da época Hosni Mubarak, e "sem hesitações usou o cargo numa situação totalmente privada", acrescentaram.

"Ruby2 participou, entre fevereiro e maio de 2010, em festas dadas por Berlusconi, nas quais recebeu dinheiros e presentes quando tinha apenas 17 anos.

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