Diplomacia

Bolsonaro diz que palestinianos têm direito de reclamar sobre escritório em Jerusalém

Bolsonaro diz que palestinianos têm direito de reclamar sobre escritório em Jerusalém

O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, considerou esta segunda-feira que as autoridades palestinianas têm o "direito de reclamar", comentando a decisão de chamar o embaixador em Brasília após o Governo brasileiro ter anunciado que abrirá uma delegação comercial em Jerusalém.

"É direito deles reclamar", disse Bolsonaro, após ser questionado por jornalistas que acompanham a primeira viagem oficial a Israel, iniciada este domingo.

O chefe de Estado brasileiro já tinha informado que a delegação brasileira em Jerusalém será de caráter comercial, para promover tecnologia e inovação, uma extensão da embaixada brasileira em Telavive.

Além de convocar o embaixador em Brasília, a autoridade palestiniana condenou o anúncio da abertura deste escritório comercial em Jerusalém, considerado um primeiro passo que pode levar o Brasil a apoiar oficialmente Israel no conflito com os palestinianos.

Bolsonaro havia prometido, durante a campanha eleitoral, que iria transferir a embaixada do país de Telavive para Jerusalém, seguindo os passos do Governo dos Estados Unidos.

No entanto, segmentos do agronegócio alertaram o presidente brasileiro sobre a possibilidade de retaliações dos países árabes com os quais o Brasil tem laços comerciais, que poderia ter um impacto nas vendas de carnes halal (permitida para consumo segundo a lei islâmica).

Bolsonaro nunca escondeu a sua admiração por Israel, país que visitou em 2016 e onde foi batizado novamente numa cerimónia evangélica no Rio Jordão.

A defesa do suposto direito de Israel de controlar Jerusalém também é amplamente apoiado por eleitores do presidente brasileiro ligados as igrejas evangélicas pentecostais.

Desde que venceu as eleições presidenciais em outubro, Bolsonaro tem expressado publicamente a sua admiração pelos governos de Israel e dos Estados Unidos, países com os quais o Brasil pretende agora estreitar relações.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, foi a principal autoridade internacional que compareceu na posse de Bolsonaro, em Brasília, no dia 1 de janeiro.

Esta segunda-feira, Bolsonaro vai visitar a Basílica do Santo Sepulcro, o mais sagrado templo do cristianismo e o Muro das Lamentações, o lugar de adoração mais sagrado para os judeus, localizada na Cidade Velha de Jerusalém Oriental.