Reino Unido

Ministro dos Negócios Estrangeiros britânico demitiu-se

Ministro dos Negócios Estrangeiros britânico demitiu-se

O ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, Boris Johnson, anunciou a sua demissão, confirmou fonte do governo, horas depois da demissão do ministro para o Brexit, David Davis.

"Esta tarde, a primeira-ministra aceitou a demissão de Boris Johnson como ministro dos Negócios Estrangeiros. O seu substituto será anunciado em breve. A primeira-ministra agradece a Boris pelo seu trabalho", disse um porta-voz.

A demissão de Boris Johnson aumenta a pressão sobre a primeira-ministra, Theresa May, alvo de críticas de alguns deputados a favor de um divórcio mais radical com a UE.

A incapacidade em defender a estratégia aprovada pelo governo na sexta-feira para as negociações do Brexit foi a razão que levou o ministro a demitir-se, segundo afirmou numa carta de demissão.

"Como eu disse na altura, o governo agora tem uma música para cantar. O problema é que eu pratiquei a letra no fim de semana e descobri que as palavras ficam-me na garganta. Nós devemos ter responsabilidade coletiva. Como não posso, em consciência, defender essas propostas, concluí com tristeza que devo sair", escreve na missiva tornada pública na tarde desta segunda-feira.

Johnson referia-se à proposta que foi anunciada na sexta-feira de criação de uma zona de comércio livre de bens entre o Reino Unido e a UE ao comprometer-se a manter as mesmas regras que para bens e produtos agrícolas, a qual criticou por trair o espírito do Brexit.

"Estamos agora na posição ridícula de afirmar que devemos aceitar imensas leis europeias da UE, sem alterar uma vírgula, porque é essencial para a saúde da nossa economia - e quando já não temos qualquer capacidade de influenciar a forma como estas leis são feitas. Nesse aspeto, estamos a encaminhar-nos para o estatuto de colónia - e muitos vão ter dificuldade em ver as vantagens económicas ou políticas deste acordo especial", considera.

Na sua opinião, ao "renunciar ao controlo" do que designa como "nosso 'livro de regras' para bens e produtos agroalimentares", Boris Johnson diz que "será muito mais difícil fazer acordos de comércio livre".

"E depois há o problema adicional de ter que defender um acordo alfandegário impraticável e não concretizável, diferente de qualquer outro existente", acrescenta.

Theresa May alegou que o plano aprovado na sexta-feira após uma reunião de 12 horas é uma solução para conseguir respeitar os acordos de paz de 1998 para a Irlanda do Norte.

"A circulação de bens sem fricções é a única maneira de evitar que uma fronteira entre a Irlanda do Norte e a [República da] Irlanda e entre a Irlanda do Norte e Reino Unido e a única forma de proteger as cadeias de valor integradas e os processos rápidos dos quais milhões de empregos e meios de subsistência dependem", vincou hoje à tarde no parlamento.

Na sexta-feira, o Governo anunciou ter chegado a consenso sobre uma proposta de criar uma zona de comércio livre entre o Reino Unido e a UE ao aderir às regras europeias.

Esta segunda-feira, o antigo líder do partido eurocético UKIP, Nigel Farage, tinha desafiado através da rede social Twitter aquele que foi um dos mais destacados defensores da saída do Reino Unido da UE.

"Boris Johnson agora tem a oportunidade de salvar o Brexit, ele será um herói se se afastar da traição da confiança dos eleitores", afirmou, ao denunciar o acordo como uma deslealdade para com os eleitores que votaram o Brexit.

No domingo, David Davis, ministro responsável por negociar o Brexit com a UE, demitiu-se do Governo britânico.

David Davis havia invocado discordar com o plano revelado na sexta-feira, referindo que deixa o país "na melhor das hipóteses, numa posição de negociação fraca, e possivelmente inaceitável".

O secretário de Estado para a Saída da UE, Steve Baker, também apresentou a sua demissão, na sequência da saída de Davis.

Vários deputados que apoiam o Brexit também se manifestaram insatisfeitos com o plano, mas por enquanto ainda não foi iniciado nenhum processo para forçar a demissão de Theresa May.

Se 48 deputados formalizarem o seu descontentamento, May poderá ser alvo de uma moção de censura dentro do partido.

Faltam menos de nove meses até que o Reino Unido efetue a saída da UE em 29 de março de 2019, cujas negociações sobre os termos do divórcio e do relacionamento posterior estão num impasse.

As duas partes tinham indicado outubro como um prazo para chegar a um entendimento para que o acordo possa ser ratificado pelos diferentes parlamentos nacionais dos 27.

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