Crise

Brasil espera que ajuda humanitária à Venezuela seja aceite

Brasil espera que ajuda humanitária à Venezuela seja aceite

Militares da Guarda Nacional da Venezuela lançaram hoje gás lacrimogéneo sobre os manifestantes que se concentravam junto à ponte fronteiriça com a Colômbia, segundo a agência de notícias France-Presse (AFP).

A AFP acrescenta que as forças governamentais lançaram gás lacrimogéneo sobre dezenas de pessoas, que se juntaram na fronteira com a Colômbia, em Urena, no estado de Tashira, no Oeste da Venezuela.

Caracas havia decidido horas antes fechar esta ponte, a fim de impedir a passagem da ajuda humanitária organizada pela oposição a Nicolas Maduro.

"Queremos trabalhar", gritou a multidão contra a Guarda Nacional Venezuelana e a polícia antimotim que bloqueava a ponte Francisco de Paula Santander, uma das quatro que ligam o estado de Tachira à Colômbia.

Já a agência de notícias espanhola EFE, conta que cerca de uma centena de pessoas se concentraram hoje junto a esta ponte fronteiriça que liga ao estado colombiano de Norte de Santander, para protestar contra um piquete das Forças Armadas Nacionais Bolivarianas (FANB), que os impede de atravessar a fronteira.

Para dispersar a manifestação, os militares começaram a lançar gás lacrimogéneo sobre os cidadãos que pretendiam atravessar para o país vizinho.

A maioria dos participantes desconhecia a ordem do governo de Nicolas Maduro, emitida na noite de sexta-feira, segundo a qual todas as pontes do estado de Tachira devem permanecer fechadas até novo aviso.

Horas antes, o Governo da Venezuela anunciou que iria encerrar parcialmente a fronteira com a Colômbia perante "as ameaças" contra a sua soberania, a poucas horas da esperada entrada de ajuda humanitária internacional através da cidade de Cúcuta.

Numa publicação divulgada na rede social twitter, na sexta-feira (madrugada de hoje, em Lisboa), a vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, afirmou que o Governo vai "fechar temporariamente" as pontes Simón Bolívar, Santander e Unión.

A medida surge depois do presidente, Nicolás Maduro, ter encerrado a fronteira com o Brasil, onde, no mesmo dia, confrontos entre o exército e uma comunidade indígena deixaram pelo menos dois mortos.

A entrada de ajuda humanitária, especialmente os bens fornecidos pelos Estados Unidos, no território venezuelano tem sido um dos temas centrais nos últimos dias do braço-de-ferro entre o autoproclamado presidente interino, Juan Guaidó, e Nicolás Maduro.

O Governo venezuelano tem insistido em negar a existência de uma crise humanitária no país, afirmação que contradiz os mais recentes dados das Nações Unidas, que estimam que o número atual de refugiados e migrantes da Venezuela em todo o mundo situa-se nos 3,4 milhões.

Maduro encara a entrada desta ajuda humanitária como o início de uma intervenção militar por parte dos norte-americanos e tem justificado a escassez com as sanções aplicadas por Washington.