UE

Bruxelas está numa "pausa" sobre o Brexit

Bruxelas está numa "pausa" sobre o Brexit

A Comissão Europeia está numa "pausa de Brexit", declarou o porta-voz do executivo comunitário, garantindo que não voltará a abordar a saída do Reino Unido da União Europeia enquanto não houver novidades desde Londres.

Em resposta a um jornalista britânico, que o incentivou a regressar ao tema do impasse da saída do Reino Unido do bloco comunitário, Margaritis Schinas anunciou que "a Comissão Europeia está numa pausa de Brexit".

"Provavelmente, não gostará do termo, mas é esse o ponto da situação. Não há mais nada que possamos fazer ou dizer. As últimas palavras [da Comissão] foram incluídas nas conclusões do Conselho Europeu. Não voltarei a falar do Brexit, a menos que haja algo de novo, e de acordo com as informações de que disponho, não há nada de novo", declarou.

A afirmação do principal porta-voz do executivo comunitário acontece no mesmo dia em que o Governo britânico e o principal partido da oposição, o partido Trabalhista, retomam as negociações para tentar ultrapassar o impasse no processo do Brexit e evitar que o Reino Unido participe nas eleições para o Parlamento Europeu.

As negociações precisam de produzir resultados rapidamente para satisfazer o desejo da primeira-ministra, Theresa May, de evitar a realização de eleições para o Parlamento Europeu no Reino Unido a 23 de maio.

Os dois lados continuam divididos sobre o modelo de futuro relacionamento com a União Europeia (UE) após a saída britânica, com o Governo a resistir à proposta do Labour para negociar uma união aduaneira.

A ministra "sombra" da Economia, Rebecca Long-Bailey, que faz parte da equipa trabalhista que tem participado nos encontros com membros do Governo, disse à estação de televisão Sky News no domingo que precisava haver progresso "concreto e rápido" nas discussões.

Porém, rejeitou acusações de que os trabalhistas estão a empatar o avanço das negociações, atribuindo ao Governo a responsabilidade por não ceder em algumas das posições.

"Honestamente, penso que, até agora, que as discussões têm sido produtivas, entraram em muitos detalhes, parece haver uma disposição de ambos os lados em avançar para alguma forma de consenso. Mas, como ainda não vimos o Governo mexer em nenhuma das suas linhas vermelhas, vamos ter mais discussões esta semana e esperamos ver algum movimento", argumentou.

O principal ponto de discórdia na questão da união aduaneira é que esta compromete o Reino Unido com uma tarifa externa comum, o que impede o país de prosseguir uma política comercial independente, como era intenção de May e do partido Conservador, de acordo com as promessas feitas pela campanha para a saída da UE para o referendo de 2016, que determinou o Brexit.

Por outro lado, no partido Trabalhista há pressão para o líder, Jeremy Corbyn, forçar o Governo a impor também a realização de um novo referendo sobre o acordo que foi aprovado no parlamento, mas com o qual muitos dirigentes e deputados discordam.

Long-Bailey disse que "todas as opções estão na mesa, incluindo campanhas para uma votação pública, mas defendeu que o partido deve ter flexibilidade, recusando-se a dizer se aprovaria um acordo sem um referendo, mesmo se não fossem satisfeitos todos os critérios.

O processo do Brexit está num impasse porque o Acordo de Saída negociado pelo governo com Bruxelas foi chumbado três vezes pelo parlamento, que também rejeitou a hipótese de uma saída sem acordo, forçando May a pedir duas vezes um adiamento da data da saída, inicialmente prevista para 29 de março, e a iniciar negociações diretas com a oposição para procurar um consenso.

Porém, quando os líderes da UE, no Conselho Europeu de 10 de abril, aceitaram um novo adiamento do Brexit até 31 de outubro, impuseram como condição a participação britânica nas eleições europeias, a não ser que um acordo seja aprovado até 22 de maio.

Imobusiness