Reino Unido

Bruxelas rejeita acordo do Brexit "tipo bufete"

Bruxelas rejeita acordo do Brexit "tipo bufete"

Seis meses após o início das negociações, a segunda fase das conversações afigura-se mais exigente.

A Comissão Europeia afastou, segunda-feira, qualquer possibilidade de a futura relação comercial com o Reino Unido vir a contemplar "privilégios" sobre outros acordos comerciais em vigor.

Stefaan De Rynck, o principal conselheiro de Michel Barnier - encarregado das negociações do Brexit por parte da União Europeia (UE) -, deslocou-se a Londres como parte dos "contactos exploratórios" que deverão ser encetados a partir de agora, precisamente seis meses após o início das conversações, para definir as "linhas orientadoras" para as discussões para um acordo sobre o futuro período de transição solicitado por Theresa May, primeira-ministra britânica.

De Rynck disse que, nesta fase, além de estar a ser trabalhada a "confiança" entre ambas as partes, deve ser também alcançado algo mais para assegurar um "terreno de jogo nivelado". O belga que prepara os dossiês do negociador chefe da UE para o Brexit frisou que "as futuras leis [comunitárias]" deverão ser aplicadas no Reino Unido, como parte integrante do acordo.

De Rynck esclareceu que "as novas regras deverão ser aplicadas" na sua totalidade e não como base numa escolha tipo "cherry picking" ou uma refeição "bufete", em que se escolhe "as partes de que se gosta".

A diretriz foi apresentada pelo presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, na mais recente cimeira, na semana passada, quando propôs que "o Reino Unido respeite as leis europeias na sua totalidade, incluindo as novas, os compromissos orçamentais, a supervisão judicial e, claro, todas as obrigações que lhe estão relacionadas".

Em Bruxelas, na mesma ocasião, May declarou-se "ansiosa" para fazer com que as negociações avancem, até à altura de "discutir essa parceria forte e especial" que pretende "construir com a União Europeia". A Imprensa britânica tem avançado com um modelo que daria ao Reino Unido privilégios especiais, através de um acordo semelhante ao que foi assinado com o Canadá, mas mais vantajoso em algumas áreas.

"Tem-se falado muito do Canadá e dos seus "mais" e de outros modelos e dos seus "menos"", disse De Rynck, referindo-se às hipóteses que têm sido avançadas no Reino Unido. Mas o belga considerou que se trata de uma "discussão pouco produtiva" e uma "armadilha" em torno da "discussão semântica".

"Continua a ser realista", considera Tusk, mas "dramaticamente difícil", tendo em conta que "a segunda fase será mais desafiadora e mais exigente do que a primeira".