Saúde

Caça ao peixe mais mortífero que cianeto deixa Japão em alerta

Caça ao peixe mais mortífero que cianeto deixa Japão em alerta

Uma cidade japonesa lançou um alerta de emergência para que os residentes evitem comer uma espécie de peixe, depois de algumas partes tóxicas do animal terem sido colocadas à venda por engano.

Um supermercado em Gamagori, no centro do Japão, vendeu cinco peixes balão, conhecido naquela parte do globo como fugu, sem remover o fígado, que contém veneno mortal.

Três dos animais vendidos foram localizados, mas há outros dois desaparecidos, disse Koji Takayanagi, da polícia local. "Estamos a pedir aos residentes para que evitem comer fugu", disse, citado pelo "The Guardian". "Três pacotes serão hoje devolvidos, mas há outros dois desaparecidos".

O fugu é considerado um dos principais pratos de inverno e é servido cru, à semelhança do sushi, ou, então, como sopa. Durante esta altura do ano, é muito procurado pelos locais e por turistas que visitam o país e ficam curiosos por todo o mediatismo em torno do prato.

Basta um pequeno engano para matar uma pessoa, quando se fala do fugu. E os números são claros quanto ao perigo de comer este peixe mal preparado. Desde o ano 2000, morreram 23 pessoas envenenadas pelo peixe-balão.

Em 2012, a BBC fez uma longa reportagem sobre o perigoso peixe. O chef Kunio Miura, proprietário de um restaurante onde o preço da refeição começa a partir dos 95 euros, explicou que os peixes são entregues na cozinha numa caixa especial e são tratados de forma diferente de todos os outros peixes. Aos jornalistas da estação pública inglesa, disse, enquanto removia os ovários, o fígado e os intestinos: "Dizem que é 200 vezes mais mortal que o cianeto."

Em causa está a tetrodotoxina, uma neurotoxina que atua de forma rápida e violenta. Começa por se manifestar junto à boca, depois a paralisia e a morte, sem que a vitima se aperceba do que está a acontecer. E o pior é que não é conhecido qualquer antídoto para contornar o problema.

Para preparar este tipo de iguaria, os chefes japoneses têm que obter uma licença especial, sendo, por isso, considerados a elite da cozinha daquele país.

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