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Cadela prova inocência de homem condenado por abusar da filha

Cadela prova inocência de homem condenado por abusar da filha

Custa a crer mas aconteceu mesmo. A descoberta de uma cadela labrador levou à resolução de um caso judicial contra um cidadão norte-americano, a cumprir pena de 50 anos de prisão por abuso sexual da filha menor, no Oregon, EUA.

Joshua Horner. 42 anos. Canalizador. Residente na cidade de Redmond, naquele Estado norte-americano, foi condenado a 21 de abril do ano passado uma acusação de abusos sexuais contra a filha, em 2014. Sem provas forenses ou testemunhais que sustentassem a sentença, o veredito foi suportado unicamente pelo testemunho da alegada vítima, cuja história contada em tribunal foi agora desmontada.

Durante o julgamento, a queixosa acusou o pai de ter abatido a tiro a sua cadela, Lucy, ameaçando fazer o mesmo aos outros animais, caso esta denunciasse os abusos à polícia. Seis meses depois, quando foi condenado, Horner, que negou sempre todos os crimes, incluindo o assassinato do animal, pediu ajuda ao "Oregon Innocence Project" (OIP). A organização estatal sem fins lucrativos, que se dedica a ajudar as pessoas condenadas injustamente, assumiu o caso e levou a cabo uma investigação que durou nove meses e que terminou com a descoberta da cadela e posterior absolvição do suspeito.

"Lucy não foi abatida. Está viva e com saúde", esclareceu um comunicado do procurador do condado de Deschutes, John Hummel, cujo gabinete também participou nas investigações pós-condenação, a par da OIP. O animal estava na zona costeira do Estado, a alguns quilómetros da localidade de Redmond, localidade onde os crimes teriam sido alegadamente praticados.

Tendo em conta os novos dados, Horner foi libertado da prisão de Pendleton a três de agosto, depois de o Tribunal de Recurso do Oregon ter revertido a sentença e ordenado um novo julgamento. Depois de as várias tentativas de contactar a queixosa terem fracassado (a jovem não apareceu mais nas reuniões e fugiu quando abordada pelos funcionários da procuradoria), o tribunal decidiu que não havia lugar para novo julgamento.

Na passada segunda-feira, Horner foi formalmente absolvido. Tratou-se da primeira sentença bem-sucedida da organização. Num comunicado divulgado pelo "Oregon Innocence Project", Horner agradeceu ao grupo, ao gabinete do procurador local, à família e aos amigos. "Eu e a Kelli estamos prontos para recuperar as nossas vidas", disse Horner, sobre a mulher, com quem saiu do tribunal de mãos dadas e de sorriso na cara.

O "Oregon Innocence Project" agradeceu a todos os voluntários que ajudaram a provar a inocência do cidadão e ao procurador distrital por ter colaborado com a organização, salientando que "este caso é um enorme exemplo da cooperação na busca pela verdade e pela justiça quando a validade de uma condenação é colocada em dúvida".

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