Abates

1600 cães eletrocutados em Cabo Verde

1600 cães eletrocutados em Cabo Verde

A Câmara Municipal da Praia, em Cabo Verde, revelou esta segunda-feira, que foram abatidos por eletrocussão 1600 cães em 2018 e assegurou que o objetivo da autarquia é fazer com que deixe de ser necessário abater animais.

Em conferência de imprensa, o vereador da Cultura, Ambiente e Saneamento da Câmara Municipal da Praia, António Lopes da Silva, lamentou o que classificou de "campanha" contra a autarquia.

O autarca garantiu que a Câmara Municipal da Praia só captura os animais que vivem em bairros onde não existem campanhas de castração, esterilização e desparasitação, levadas a cabo por uma associação, a custas da autarquia.

No ano passado, avançou, foram abatidos 1600 cães por eletrocussão.

Questionado sobre a escolha da forma como os animais são abatidos, António Lopes da Silva disse que a mesma está prevista pela Organização Mundial para a Saúde dos Animais.

"É um dos métodos recomendados por essa organização. Mas se as organizações de defesa dos direitos dos animais acharem que há outros métodos, que digam", adiantou. E garantiu: "Estamos a trabalhar para acabar com o abate dos animais".

O vereador explicou que os serviços capturam os animais quando estes andam em elevado número pelas ruas e os moradores reclamam do barulho à noite e por receio de serem mordidos.

"Quando a população exige, nós vamos e cumprimos. Não somos uma associação dos direitos dos animais. Nós gerimos uma cidade que tem muitos problemas", adiantou.

Questionado sobre a disponibilidade da Ordem dos Médicos Veterinários de Portugal de ajudar no sentido de apoiar a autarquia numa solução alternativa à eletrocussão, disse que iria transmitir a oferta a uma associação de bem-estar animal com a qual a câmara trabalha na castração e esterilização dos canídeos.

"Se encontrarmos um método melhor, é amanhã já", disse, frisando: "Não queremos matar animais".

Atualmente, a Câmara Municipal da Praia tem registados 1045 cães que têm dono, mas vivem na rua.

Contra o abate de cães na capital de Cabo Verde, o movimento Comunidade Responsável está a promover uma petição, que conta já com mais de 5400 assinaturas.

Maria Zsuzsanna Fortes, voluntária do movimento, disse à Lusa que o que se passa é de "uma crueldade fora do comum".

"Os animais pagam o preço da negligência humana", afirmou, contando que os cães estão a ser capturados como se fossem lixo. Vários vídeos recentes, publicados nas redes sociais, mostram mesmo a captura de animais que são depois atirados para dentro de camiões do lixo.

Na lixeira municipal, contou Maria Zsuzsanna Fortes, os cães ficam instalados num espaço com quatro divisões, sem água, sem comida, em cima das fezes, às vezes ao pé de cadáveres, já que vão assistindo à morte dos animais.

O vereador António Lopes da Silva garante que quem recolhe os cães trabalha para a autarquia e teve formação para tal. No entanto, têm sido visíveis na cidade da Praia carrinhas de caixa aberta, onde são colocados animais por cidadãos que os recolhem e que não estão fardados como os funcionários municipais.

As denúncias nas redes sociais contam com testemunhos de jovens desempregados que recebem cerca de 300 escudos (2,7 euros) por cada animal capturado, situação não confirmada pelo autarca, que garante ser essa uma tarefa a cargo de funcionários responsáveis.

Nos últimos dias, alguns moradores indignados têm mesmo saído em defesa dos animais e conseguido libertar alguns que já se encontravam no interior dos veículos.

No texto que acompanha a petição contra a morte dos animais na Praia, o Movimento Comunidade Responsável recorda que "a eletrocussão é internacionalmente proibida por convenções internacionais, dos quais Cabo Verde faz parte".

"A eletrocussão é proibida por causar um extremo sofrimento aos animais. No ânus dos animais, muitas vezes totalmente molhados e colocados dentro de uma caixa metálica, é introduzido um cabo com 380 volts. As veias do cão rebentam, os músculos convulsionam-se e até os ossos se partem por causa de tantas convulsões", lê-se no documento.