Grécia

Casal de voluntários passa cinco horas por dia no mar a tentar encontrar vítimas

Casal de voluntários passa cinco horas por dia no mar a tentar encontrar vítimas

Spyros Mitritsakis e Mania Bifok são nadadores salvadores e ajudam em situações dramáticas há quase duas décadas.

Desde terça-feira que, todos os dias, Spyros Mitritsakis e Mania Bifok repetem o mesmo ritual. Vestem o fato de mergulho, enfiam-se num barco e fazem-se ao mar. Durante cinco horas, às vezes seis.

Fazem-no por gosto, sem receber nada em troca nem terem de cumprir qualquer obrigação profissional. Mas com uma missão de grande responsabilidade: tentar encontrar nas águas vítimas dos incêndios que, na segunda-feira, devastaram dez quilómetros de localidades costeiras, nos arredores de Atenas.

"Não sei explicar porque o fazemos. É um instinto. Sentimo-nos úteis, porque a água é o nosso elemento natural", explicou Spyros ao JN.

Fala no plural porque sai sempre para a água com a mulher, Mania Bifok, estrela da seleção nacional grega de polo aquático e campeã nacional de triatlo.

E a água é um elemento natural, porque têm feito isto... desde que se lembram. "Abrimos [ele e a esposa] uma escola de nadadores-salvadores há 30 anos. E há 17 criámos uma equipa de voluntários, para ajudar em situações destas", recorda.

Em 2015, por exemplo, estiveram na ilha grega de Lesbos, a ajudar na crise de refugiados que atravessam o mar Egeu. "Montámos uma base de 24 horas, para ajudar quem chegava e precisava de cuidados. E também andávamos no mar. Até porque eles vinham da Turquia em botes muito frágeis. Encontrávamo-los a meio caminho e levávamo-los para terra firme".

Para já, ao largo da costa da Grécia, ainda não encontraram nada. O que é bom. Ainda assim, têm ido para o mar todos os dias. E prometem continuar a ir, enquanto a lista desaparecidos, na sequência dos incêndios, não mingar - não há números exatos de pessoas que estão por encontrar, mas a estimativa oficial aponta para que, no mínimo, sejam quatro dezenas.

Tudo por amor à camisola. "Nós não recebemos nada. Não somos sequer uma organização não-governamental. Somos apenas voluntários. Pagamos tudo com o nosso salário familiar. E temos quatro filhos", explica, antes de rematar, com um sorriso: "Acho que somos só loucos."

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