Investigação

Cientistas acreditam ter descoberto tratamento para a epilepsia

Cientistas acreditam ter descoberto tratamento para a epilepsia

Cientistas nos Estados Unidos decifraram pela primeira vez a função de estruturas no cérebro à volta dos neurónios e acreditam ter descoberto um tratamento potencial para alguns tipos de epilepsia.

Segundo um estudo divulgado esta sexta-feira, as chamadas redes perineuronais foram descobertas pela primeira vez em 1893 pelo neurobiólogo italiano Camillo Golgi, mas a sua função não era bem conhecida até a equipa do instituto Carilion, da universidade estadual da Virginia, ter agora concluído que regulam os impulsos elétricos no cérebro.

Quando estas redes são destruídas, podem acontecer ataques epiléticos, como descobriram quando investigaram cérebros de ratos com tumores cerebrais muito agressivos chamados glioblastomas.

Trata-se do único cancro que não consegue espalhar-se porque está limitado pelo crânio. Por isso, segrega em grandes quantidades um neurotransmissor chamado glutamato que mata as células à volta para permitir ao tumor crescer.

Os cientistas da Virginia Tech também verificaram que o tumor ataca as redes, dissolvendo-as, o que torna difícil regular os impulsos elétricos no cérebro, que pode então sofrer ataques epiléticos.

O investigador especializado em epilepsia H. Steven White afirmou que as conclusões do estudo da equipa liderada pelo biólogo Harald Sontheimer se podem aplicar a outras formas de epilepsia adquirida.

"Este estudo sugere uma possível forma de modificar o desenvolvimento e a progressão da epilepsia, o que diminuiria o transtorno para os pacientes", indicou.

Mais de 50 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem de epilepsia, de acordo com a Organização Mundial de Saúde. Cerca de um terço dos doentes não responde aos tratamentos existentes.

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