Investigação

Cinco erros que tramaram assassino de duas meninas em Inglaterra

Cinco erros que tramaram assassino de duas meninas em Inglaterra

Ian Huntley trabalhava numa escola de Soham, em Inglaterra, onde duas jovens foram assassinadas em 2002. Durante as buscas policiais, foi uma das pessoas mais ativas no apoio às autoridades e no contacto com os média. Acabaria detido e condenado pelo crime. Um dos agentes envolvidos no caso deu a conhecer os cinco erros cometidos pelo assassino e que ajudaram à sua detenção.

Jessica Chapman e Holly Wells tinham dez anos quando, no dia 4 de agosto de 2002, desapareceram, depois de terem saído de uma festa de família para comprar doces. Nunca mais foram vistas e os corpos foram encontrados no dia 14 de agosto por um agricultor.

Ian Huntley, que era auxiliar na escola que as jovens frequentavam, foi detido e acusado pelas duas mortes. A sua companheira, Maxine Carr, professora na escola das meninas, também foi condenada no caso, acusada de obstrução à justiça.

Chris Stevenson, que liderou as investigações pouco depois de as raparigas terem desaparecido, foi o protagonista da série documental "Cinco erros que denunciaram um assassino", que passou no "Channel 5". O especialista criminal revelou alguns dos pormenores que ajudaram a polícia a deter o criminoso.

Das mentiras da namorada à troca de pneus

Chris começou por destacar a forma como Ian, ainda longe de ser suspeito, começou a destacar-se nos média. Esteve junto da escola durante os primeiros dias a seguir ao desaparecimento e foi uma das pessoas mais solicitadas para dar entrevistas, pelos jornalistas presentes no local. Toda esta exposição acabou por o prejudicar. Depois de o seu rosto se tornar conhecido por estar constantemente na televisão, várias pessoas identificaram-no como estando ligado a ataques sexuais a mulheres.

O segundo erro está relacionado com o telemóvel de Jessica, que foi desligado no mesmo dia em que a menina desapareceu. O último sinal identificado pelas autoridades dava conta de que o aparelho estava próximo da casa de Ian.

Outra das pistas que ajudou a deter o suspeito está relacionada com as declarações da companheira. À polícia, Maxine disse que tinha passado o dia em que as meninas desapareceram com o namorado. No entanto, os registos do telemóvel demonstraram que a mulher esteve em Grimsby, a mais de 200 quilómetros do local do crime.

Ian fez também uma pergunta que deixou intrigado o principal responsável pela investigação. O suspeito terá perguntado durante quanto tempo são detetáveis as manchas de ADN. "Foi uma pergunta que me pareceu estranha, muito estranha", admitiu Chris. A polícia acredita que, com receio, Ian foi ao local onde tinha enterrado os corpos das meninas e tentou-os queimar, para eliminar qualquer elemento que o incriminasse.

No dia do desaparecimento, as duas raparigas estavam a usar camisolas do Manchester United. O suspeito, pensando que as autoridades já tinham realizado todas as buscas na escola, colocou as t-shirts num caixote do lixo nesse local. No entanto, as autoridades voltaram à escola e acabaram por encontrar as t-shirts. "Estavam em tão mau estado que percebemos logo que seria impossível elas estarem vivas", relevou Chris.

O último erro de Ian foi a substituição dos pneus do carro que usou para se livrar dos corpos das meninas, o que deixou as autoridades curiosas e motivou uma investigação ao veículo. No carro, encontraram terra que correspondia ao local onde as vítimas foram encontradas.

Em tribunal, Ian disse que acidentalmente afogou Holly tentando ajudá-la a conter uma hemorragia nasal. Ao juiz, explicou que, na tentativa de acalmar Jessica, acabou por a sufocar. O homem foi condenado a duas penas de prisão perpétua