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Cohn-Bendit prevê Europa fora do G20 em 2030

Cohn-Bendit prevê Europa fora do G20 em 2030

O antigo eurodeputado Daniel Cohn-Bendit, um dos principais rostos da revolta estudantil "Maio de 68", previu hoje que em "2030 não haverá países europeus no G20", que reúne as 19 maiores potências mundiais e a União Europeia.

Num debate no âmbito na Feira do Livro do Porto e que teve como moderador o historiador e político português Rui Tavares, o "livre pensador" franco-alemão explicou à Lusa esta previsão que assumiu como "inquietante para a Europa".

"Basta olharmos hoje para a evolução económica na China, Rússia, Estados Unidos e noutros países", disse Cohn-Bendit notando que a "Alemanha começa a perder terreno e é o único país europeu presente e a França também não está famosa".

Perante este cenário, o antigo político advertiu: "Se quisermos manter a nossa capacidade de ser responsáveis teremos de ser capazes de nos unirmos política e economicamente".

Num debate sob o tema "Revoluções imprescindíveis", Daniel Cohn-Bendit falou também da realidade política portuguesa, pronunciando-se sobre o acordo parlamentar à esquerda encontrado em 2015 para governar o país.

"Penso que esse Governo começou muito bem, que conseguiu um equilíbrio entre uma política de responsabilidade económica e de abertura social", disse o convidado, elogiando a gestão de António Costa (PS): "O primeiro-ministro português é uma pessoa com uma mestria política impressionante".

Já sobre o Brasil, Cohn-Bendit vê o antigo Presidente Lula da Silva, a cumprir uma pena de prisão por corrupção, como um "problema complicado".

"Por um lado, [Lula da Silva] é vítima de procedimentos de juízes que quiseram atacar de todas as formas a corrupção existente e, ao mesmo tempo, [a situação] é dramática para o Brasil porque ele, sozinho, conseguiu proteger o país de uma deriva autoritária que poderá reconduzir os militares ao poder", alertou.

No debate em que rotulou a Europa de "democrática mas tecnocrata", a Tunísia como "o único foco de esperança que sobrou da Primavera Árabe" e frisou que, "apesar das críticas ferozes à política europeia feitas pela Áustria e pela Itália, nenhum dos países disse querer sair da União Europeia", o ex-eurodeputado avisou que "não se pode atacar o populismo no seu terreno".

"Há que saber mobilizar as pessoas, não devemos ir atrás dos jovens que não querem ouvir, mas sim de quem está disponível para conversar", acrescentou Cohn-Bendit, para quem a chegada da extrema-direita ao poder em Itália decorre de a Europa a "ter deixado tanto tempo isolada a receber os migrantes em Lampedusa".

A terminar, Cohn-Bendit disse concordar com a aplicação de um Plano Marshall para África para combater a vaga de refugiados, mas ressalvou: "Sem se demonstrar nesses países que o futuro está em aberto e há melhores possibilidades para lá construir vida, nenhum plano irá resultar".

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