Espanha

Conspiração contra líderes soberanistas catalães trama PP

Conspiração contra líderes soberanistas catalães trama PP

O ministro do Interior espanhol e o diretor do Gabinete Anticorrupção da Catalunha teriam conspirado para criar escândalos comprometedores para dirigentes de partidos soberanistas, alegadamente com o acordo do presidente do Governo espanhol.

A revelação de gravações de conversas entre o ministro do Interior espanhol e o diretor do Gabinete Anti-corrupção da Catalunha, alegadamente conspirando para criar e libertar para a imprensa escândalos envolvendo dirigentes soberanistas, irrompeu em força na campanha para as eleições gerais de domingo, até porque comprometem o próprio presidente do Partido Popular (PP) e primeiro-ministro em exercício.

Entrevistado na estação Onda Cero, Mariano Rajoy rejeitou estar a par da alegada conspiração, revelada pelo jornal digital espanhol "Publico", que tem insistido que o ministro, Jorge Fernández Díaz, informou expressamente o seu interlocutor de que o presidente do Governo sabia do que planeavam.

Rajoy garante, no entanto, que só soube das conversas na noite de anteontem, após as primeiras divulgações pelo jornal, tendo chamado o ministro para lhe pedir esclarecimentos. As conversas "são de duas pessoas que tratam de temas das suas competências", disse, mantendo o apoio a Díaz.

Em causa, estão duas conversas entre Jorge Fernández Díaz e Daniel de Alfonso, no gabinete do ministro, em 2 e em 16 de outubro de 2014, antes do referendo soberanista - convocado pela Generalitat (governo autónomo), para auscultar os catalães sobre a pretendida independência - em 9 de novembro daquele ano.

Segundo os extratos da gravação divulgados pelo "Público", Díaz instava de Alfonso a procurar elementos que pudessem comprometer o líder da Esquerda Republicana da Catalunha, Oriel Junqueras, atual vice-presidente da Generalitatt e Felip Puig (Convergênca Democrática da Catalunha).

O ministro, que é o cabeça de lista do PP na Catalunha, nega qualquer conspiração e diz que os trechos transcritos (acompanhados de sons da gravação, cuja autoria não se conhece) foram retirados de contexto.

Quase todos os partidos pedem a demissão de Jorge Fernández Díaz e o presidente da Generalitat, Carles Puigdemont, exigiu mesmo que que resigne à candidatura.

Por outro lado, a Mesa do Parlamento a Catalunha decidiu iniciar um processo de revogação da nomeação (o magistrado foi nomeado pelo parlamento em 2011, por um período de nove anos) de Daniel de Alfonso, prevendo-se que venha a chamar o ministro a prestar esclarecimentos.