acidente aéreo

Copiloto da Germanwings fez avião despenhar-se

Copiloto da Germanwings fez avião despenhar-se

O procurador encarregado da investigação à queda do avião da Germanwings declarou, esta quinta-feira, que o copiloto do avião despenhou intencionalmente o avião com 150 pessoas a bordo nos Alpes franceses. As vítimas morreram de forma "repentina e imediata".

Brice Robin, em conferência de imprensa, disse que a hipótese mais plausível é que o copiloto recusou abrir a porta do cockpit. "A intenção era destruir o avião", afirmou.

"Havia um silêncio absoluto dentro do cockpit. Nada, nenhuma palavra durante os últimos 10 minutos", confirmou. "Estava a respirar calmamente", disse o procurador. "Não lhe posso chamar suicídio, mas é legítimo questionar isso", ressalvou.

"Acho que ele se recusou abrir a porta e quis por o avião abaixo. Carregou no botão que enviou a aeronave para descida fatal. Ele acelerou a descida do aparelho. Foi uma ação voluntária da parte do copiloto. Ele não é um terrorista conhecido, de certeza que não".

Nos primeiros 20 minutos de voo, disse o procurador, piloto e copiloto conversaram de forma "normal e afável". As respostas de Lubitz tornam-se depois "lacónicas", quando o piloto preparou o relatório para a aterragem em Düsseldorf (Alemanha).

"Depois, ouve-se o piloto pedir ao copiloto para tomar o comando, um assento a ser deslocado para trás e uma porta a fechar", disse o procurador, acrescentando que o piloto saiu provavelmente para ir à casa de banho.

"Parece inimaginável que pudesse ocorrer semelhante tragédia na nossa empresa. As nossas tripulações são selecionadas com o maior rigor", declarou o presidente da Lufthansa, Carsten Spohr. "Tentamos centrar a atenção na capacidade psicológica dos nossos candidatos em assumirem os comandos de um avião", precisou.

Piloto fora do cockpit

"O copiloto ficou sozinho aos comandos. Ouvimos vários pedidos do piloto para entrar no 'cockpit'. Não há resposta do copiloto", disse.

Só nos últimos momentos se ouvem gritos dos passageiros, prosseguiu, concluindo que os ocupantes do avião tiveram "morte instantânea".

O copiloto é um alemão de nome Andreas Lubitz. Tinha 28 anos. Trabalhava para a Germanwings desde setembro de 2013. Formou-se na escola da Lufthansa, em Bremen, e já tinha 630 horas de voo na sua folha de serviço.

A página do Facebook de Lubitz foi entretanto apagada.

Buscas na Alemanha

Investigadores alemães efetuaram buscas, esta quinta-feira, nos dois domicílios conhecidos de Andreas Lubitz. "As buscas decorreram no apartamento do copiloto em Dusseldorf e numa habitação em Montabaur", onde o suspeito, de 28 anos, vivia parte do tempo com os seus pais, afirmou, em declarações à agência francesa AFP, o procurador Ralf Herrenbruck.

Em Montabaur, uma cidade de 12.500 habitantes no oeste da Alemanha, um cordão policial protegia esta quinta-feira a casa da família de Andreas Lubitz. Homens vestidos à civil, munidos de luvas azuis, saíram da habitação com malas de mão, sacos e caixas de cartão.

Outros agentes policiais interrogaram vários habitantes do bairro, para onde convergiram muitos meios de comunicação social.

O Ministério Público de Dusseldorf abriu um inquérito paralelo às investigações iniciadas pelas autoridades francesas, uma vez que muitas das vítimas do acidente são oriundas desta região alemã.

Num comunicado, o Ministério Público justificou as buscas "em Dusseldorf e em outros locais" para tentar encontrar "elementos pessoais suscetíveis de esclarecer os factos".

A agência noticiosa alemã DPA indicou ainda que os investigadores deslocaram-se às casas das vítimas do acidente que residiam nesta região, de forma a reunir elementos que possam contribuir para a identificação dos corpos.

Corpos resgatados

Entretanto, só ao final da tarde de ontem é que as autoridades conseguiram começar a retirar, por helicóptero, os restos mortais dos passageiros do avião da Germanwings. Os destroços do Airbus A320 estão espalhados por uma área de quase quatro hectares de difícil acesso. As operações de resgate envolvem 400 polícias e militares e 300 bombeiros.

As famílias das 150 vítimas mortais, cerca de 400 pessoas, são esperadas a partir desta quinta-feira de manhã em Seyne-Les-Alpes. Foi criada uma câmara-ardente provisória para começar a acolher os cadáveres.

A Lufthansa, companhia que detém a Germanwings, disponibilizou dois aviões para transportarem hoje as famílias desde Espanha e Alemanha.

Segundo o "El Pais", em Espanha (de onde são 51 das vítimas), um grupo de 14 familiares partiu de autocarro de Llinars del Valles. Os familiares não quiseram fazer a viagem de avião. O "El Mundo" adianta que a polícia espanhola recolheu amostras de ADN de 40 familiares. A Interpol vai colaborar na identificação das vítimas e na recolha de provas. A Alemanha é o país com mais mortos, 76, mas as vítimas (144 passageiros e seis tripulantes) são de 18 nacionalidades.

A hipótese de o avião ter explodido ainda no ar foi entretanto afastada. "Destroços tão pequenos não são característicos de um avião que rebentou no ar", disse, em conferência de imprensa, Rémy Jouty, diretor do Gabinete de Investigação e Análise da Aviação Civil (BEA, na sigla em francês).

O avião desapareceu dos radares cerca das 10.20 horas (hora portuguesa) de terça-feira, depois de ter descolado às 8.55 horas do aeroporto de El Prat, Barcelona, com 20 minutos de atraso.

Às 9.45 horas (hora portuguesa), regista-se uma queda acentuada de altitude - o aparelho passou de 35 mil pés (10.700 metros) para 6900 pés (1800 metros) em apenas oito minutos.

Na altura não havia indicação de turbulência ou mau tempo na zona. Foi o controlador aéreo quem deu o alerta. Não houve, por parte do piloto, nenhum sinal de que haveria algum problema com o aparelho.

A Lufthansa encarou a queda de avião como um acidente, embora o primeiro-ministro francês, Manuel Valls, tenha declarado que "nesta fase, nenhuma hipótese pode ser afastada" para explicar o acidente do Airbus A320 da filial de baixo custo da transportadora alemã.

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