EUA

Corpo e bens do assassino em série Charles Manson reclamados por quatro pessoas

Corpo e bens do assassino em série Charles Manson reclamados por quatro pessoas

Charles Manson, um dos mais célebres assassinos em série da história dos EUA, morreu há cerca de três meses mas o corpo ainda não foi entregue à família, uma vez que há pelo menos quatro pessoas a reivindicá-lo. A decisão deverá ser tomada pelas autoridades norte-americanas no início do próximo mês.

Para não correrem o risco de entregarem os restos mortais de Manson à pessoa errada, as autoridades do condado de Kern, na Califórnia, pediram ao Tribunal Superior de Los Angeles para recolher eventuais reivindicações sobre o corpo, escreveu a agência de notícias Efe em dezembro passado, um mês depois da morte de Manson, ocorrida a 19 de novembro de 2017.

Acontece que, três meses depois, pelo menos quatro pessoas de vários Estados dos EUA asseguram terem direito ao corpo e bens do assassino, que passou 46 anos preso por liderar uma seita responsável pelo homicídio de sete pessoas, em agosto de 1969. Dois familiares - um filho e um neto - e dois outros homens sem relação de consanguinidade a Manson insistem estar na posse de testamentos válidos deixados pelo falecido antes de morrer, e têm travado batalhas legais em dois condados da Califórnia para levarem a sua avante.

O neto

Jason Freeman, residente na Florida, foi o primeiro a pôr-se na fila para reclamar o corpo e as posses de Manson, que diz ser seu avô e com quem só estabeleceu contacto próximo nos últimos anos. Da documentação apresentada em tribunal, constam certidões de nascimento, óbito e outras que comprovam a relação sanguínea entre ambos. Charles terá sido casado com a avó de Freeman, em 1955, e, fruto do casamento, terá nascido um filho, o pai de Freeman, já falecido.

Se a vontade de Jason for cumprida, Manson vai ser cremado e as cinzas vão ser espalhadas, durante uma cerimónia familiar. No caso de ser surpreendido com dinheiro e outros bens, Jason diz que estes vão ser doados.

O filho

Michael Brunner, nascido em abril de 1968, diz ser o único filho, ainda vivo, de Manson, fruto de uma relação com Mary Brunner, também ela seguidora da ceita responsável pelo massacre de 1969 na casa da atriz Sharon Tate. A relação de parentesco é comprovada pela documentação entregue pelo advogado de Michael ao tribunal, pelo que o filho de Manson tem grande hipóteses de ficar com o corpo e bens do pai.

Segundo a CNN, Michael Brunner quer "cremar os restos mortais de Manson e espalhar as cinzas numa cerimónia privada e digna", à semelhança da vontade expressa por Freeman. Brunner, citado pela cadeia norte-americana, diz ter receio de que outras pessoas se aproveitem da situação para "buscarem lucros" da morte de Charles.

Outros dois interessados

Logo após a morte de Manson, o coronel do condado de Kern recebeu dois testamentos contraditórios. O primeiro, datado de 11 de janeiro de 2017, nomeia Matthew Robert Lentz, suposto filho desconhecido de Manson, como único herdeiro. Matthew, aparente fruto de uma relação de uma noite entre a mãe e Manson, conta ter sido dado para adoção em criança, tendo acabado por descobrir a identidade dos pais biológicos, já em adulto. Contudo, um teste de ADN a que a CNN teve acesso não estabelece relação consanguínea entre Lentz e Freeman.

O segundo testamento foi entregue por Michael Channels, vendedor de recordações de Manson, que diz ter iniciado uma amizade com o homicida há cerca de 30 anos, motivado pelo desejo de "conhecer o diabo". Segundo a CNN, Channels tinha, até recentemente, uma página de Youtube onde se encontravam várias gravações de áudio que seriam conversas com Manson, na prisão.

O californiano diz ter recebido o documento - onde Manson lhe deixa todos os bens - pouco depois de este ter sido redigido, em fevereiro de 2002. Ao contrário do anterior, este testamento, a que a CNN teve acesso, está assinado por duas testemunhas, cumprindo os requisitos da lei californiana. Acontece que uma das testemunhas é Channels e a respetiva assinatura está datada de quatro dias antes da data de elaboração do documento.

Segundo a CNN, as autoridades deverão tomar uma decisão entre os dias sete e nove de março.

No final dos anos 60, Manson dirigiu a seita que perpetrou vários homicídios violentos em bairros luxuosos de Los Angeles (na costa oeste dos Estados Unidos), incluindo o da atriz Sharon Tate, mulher do realizador Roman Polanski. Na altura, Sharon Tate tinha 26 anos e estava grávida. Os homicídios desencadearam o pânico entre os residentes e chocaram a opinião pública mundial. O guru da seita "família Manson" foi condenado à morte em 1971, pena comutada para prisão perpétua.

ver mais vídeos