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Crianças desfilam em passerelle para serem adotadas

Crianças desfilam em passerelle para serem adotadas

São apenas crianças, entre os 4 e os 17 anos, sem retaguarda familiar e à procura de um futuro que as trate melhor. Mas são obrigadas a desfilar por uma passerelle, de sorriso aberto, para tentar cativar eventuais interessados na sua adoção.

O evento, promovido pela Comissão de Infância e Juventude da Ordem dos Advogados do Brasil e pela Associação Mato-grossense de Pesquisa e Apoio à Adoção, já vai na terceira edição. Contudo, só este ano mereceu críticas, havendo quem defenda que as crianças são equiparadas a animais. A organização desvaloriza e garante que o desfile é somente uma oportunidade para os candidatos à adoção poderem conhecer os meninos e meninas que podem ser acolhidos.

Terceira edição gera críticas

O desfile realizou-se na última terça-feira, no Pantanal Shopping, um centro comercial situado em Cuiabá, a capital do Estado do Mato Grosso. Foi nesta catedral do consumo que as crianças percorreram uma passerelle ladeada por casais à procura do melhor exemplar para adotar. Todos estavam penteados, vestidos com roupas novas e as meninas até tiveram direito a maquilhagem.

Serviços oferecidos pelos lojistas daquele shopping brasileiro, cuja gerente de marketing, Ticiana Pessoa, defendeu que foi uma honra receber o evento. "É uma noite para os pretendentes - as pessoas que estão aptas a adotar - poderem conhecer as crianças, a população em geral ter mais informações sobre adoção e as crianças terem um dia diferente, em que irão produzir o cabelo, a roupa e a maquilhagem, para o desfile", acrescentou Tatiane de Barros Ramalho, presidente da Comissão de Infância e Juventude da Ordem dos Advogados do Brasil.

Todavia, as redes sociais e a imprensa brasileira reagiram negativamente à ideia de colocar crianças para adoção numa passerelle. Há quem alegue que se trate de crueldade absoluta, em que os jovens estão a ser tratados como animais colocados numa jaula para serem vendidos. Outros falam em mercantilização de seres humanos e o candidato às últimas eleições presidenciais, Guilherme Boulos, classificou a iniciativa de "perversidade inacreditável" com "efeitos devastadores" em crianças que já conhecem bem o significado da dor.