Venezuela

Defesa acusa Justiça de mudar acusações ao chefe de gabinete de Guaidó

Defesa acusa Justiça de mudar acusações ao chefe de gabinete de Guaidó

A defesa de Roberto Marrero, chefe de gabinete do autoproclamado presidente interino venezuelano, Juan Guaidó, garantiu esta sexta-feira que a Justiça cometeu um erro ao ordenar, na semana passada, a sua detenção, tendo mesmo mudado as acusações.

O advogado Joel Garcia, líder da equipa que defende Roberto Marrero, afirmou que a detenção inicial foi justificada com uma alegada traição à pátria e usurpação de funções, crimes que foram, entretanto, "apagados" da acusação.

"Se foram esses os delitos que motivaram a sua detenção, porque é que agora não constam da acusação?", questionou a equipa de defesa.

Roberto Marrero foi detido, no dia 21 deste mês, por agentes dos serviços de informação, na sequência de buscas à sua casa, uma operação que Juan Guaidó classificou como "um sequestro".

"Sequestraram Roberto Marrero, chefe do meu escritório (...). A operação começou às 2 horas aproximadamente. Nós não sabemos do seu paradeiro. Ele deve ser libertado imediatamente", escreveu na altura Juan Guaidó, numa mensagem publicada na rede social Twitter.

Segundo afirmou hoje o advogado de Marrero, os delitos que agora constam da acusação são conspiração, lavagem de dinheiro e ocultação de armas de guerra.

Dois dias depois da sua detenção, o Governo acusou Marrero de fazer parte de uma célula terrorista que planeava "assassínios seletivos" para chocar a nação.

Os Estados Unidos e cerca de 50 países da comunidade internacional, incluindo Portugal, já reconheceram o opositor e presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, como presidente interino da Venezuela, negando a legitimidade do governo liderado pelo presidente Nicolás Maduro.

Na Venezuela, a confrontação entre as duas fações tem tido repercussões políticas, económicas e humanitárias.

No país residem cerca de 300 mil portugueses ou lusodescendentes.

Os mais recentes dados das Nações Unidas estimam que o número atual de refugiados e migrantes da Venezuela em todo o mundo se situa nos 3,4 milhões.

Só no ano passado, em média, cerca de 5000 pessoas terão deixado diariamente a Venezuela para procurar proteção ou melhores condições de vida.