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Dentista que decapitou o leão Cecil culpa os guias

Dentista que decapitou o leão Cecil culpa os guias

Walter James Palmer, o dentista norte-americano que matou o leão Cecil, uma das mascotes do Zimbabué, culpa os "guias profissionais" que ajudaram a caçá-lo.

"Não fazia ideia de que o leão que matei, um exemplar querido pelos locais, tinha um colar GPS e estava envolvido num estudo, até ao final da caça. Confiei na experiência dos meus guias profissionais locais para me assegurar que a caça era legal", afirmou Palmer num comunicado em que lamentou a morte de Cecil.

O dentista, um apaixonado por caça de troféus, garante que estava legal no Zimbabué a caçar, mas, de acordo com o "El Mundo", o responsável pela conservação da natureza no país afirma que Palmer teria apenas "um visto de turista".

Em 2008, conta o "Telegraph", o dentista foi condenado nos EUA por ter morto um urso negro, no estado do Wisconsin, numa zona ilegal. Foi condenado a um ano de cadeia com pena suspensa e a uma multa de três mil dólares (cerca de 2700 euros), porque matou o urso, mas também porque transportou o cadáver até a uma zona legal, de forma a enganar as autoridades.

No site "Safari Club Internacional", um grupo de caça grossa com mais de 55 mil membros, o dentista do Minnesota conta com 43 troféus de caça e as fotografias para o comprovar.

As autoridades no Zimbabué não duvidam de que o leão foi morto fora da zona de reserva natural, mas estão a investigar a forma como o animal foi atraído até à área.

De acordo com as autoridades do Zimbabué, o leão saiu do Parque Natural de Hwange atraído por um isco morto. Fora do parque, os guias terão conseguido atordoá-lo com os faróis de um carro, para que Palmer o atingisse com uma flecha.

Durante 48 horas, o leão ferido foi seguido pelos caçadores, que o mataram a tiro e depois o decapitaram, tentando arrancar o sinalizador de GPS que trazia ao pescoço, já que fazia parte de um estudo com mais de dez anos da Universidade de Oxford, no Reino Unido.

O dono propriedade onde Cecil foi morto e o caçador profissional que o ajudou a matá-lo não teriam licença de caça, pelo que serão "responsáveis por delitos de caça ilegal", afirmam em comunicado a Autoridade de Gestão do Vida Selvagem e Parques do Zimbabué e a Associação de Operadores de Safari do Zimbabué.

O caso está a levantar uma onda de indignação global.