EUA

"Deram-lhe o Nobel porquê?", pergunta Trump a vítima do Estado Islâmico

"Deram-lhe o Nobel porquê?", pergunta Trump a vítima do Estado Islâmico

Nadia Murad venceu o Nobel da Paz em 2018. É uma refugiada yazidi e tornou-se num dos principais rostos desta comunidade, perseguida há anos no Iraque. Numa reunião com Donald Trump, a jovem pediu apoio ao presidente norte-americano e recebeu uma resposta pela qual não esperava.

A Casa Branca, em Washington DC, recebeu, esta quinta-feira, sobreviventes de perseguições religiosas oriundos de 17 países. Entre eles estava Nadia Murad, Nobel da Paz em 2018.

A jovem pediu ao líder norte-americano para que este interviesse para travar a violência que os yazidis sofrem na região. No final da declaração, Trump perguntou-lhe qual o motivo que a levou a ter recebido o Nobel. "Esta é a primeira vez que uma mulher sai do Iraque e fala para o Mundo das atrocidades que sofreu", explicou Nadia.

Vida de sofrimento perpetuada pelo Estado Islâmico

Nadia fugiu em novembro de 2014, conseguindo chegar a um campo de refugiados no norte do Iraque, e, em seguida, a Estugarda, na Alemanha.

Desde então tem sido porta-voz da causa yazidi, tal como a sua amiga Lamia Haji Bachar, com a qual venceu, em conjunto, o Prémio Sakharov do Parlamento Europeu em 2016. Estima-se que mais de três mil yazidis permaneçam desaparecidos.

Em janeiro, de 2019, poucos meses depois de ter sido galardoada com o Prémio Nobel da Paz, Nadia Murad falou ao JN. Numa entrevista, explicou que com apenas 21 anos a sua vida mudou para sempre. Os soldados do grupo terrorista Estado Islâmico atacaram a aldeia onde vivia, no norte do Iraque.

Foi vendida como escrava sexual. Violada. Torturada. Destruíram-lhe o corpo e os sonhos de criança. Nadia Murad conseguiu fugir e denunciou as atrocidades cometidas sobre o povo yazidi. "Sou uma das jovens sortudas que conseguiram escapar. Sinto uma profunda responsabilidade em ser uma voz ativa por todas as vítimas esquecidas e sem nome, que sofreram com os horrores da violência sexual e do genocídio", disse.