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Detido diz ter pirateado telemóveis de autoridades brasileiras

Detido diz ter pirateado telemóveis de autoridades brasileiras

Um dos presos na operação da Polícia Federal brasileira que investiga pirataria cibernética contra autoridades do país confessou o roubo do material que está a ser publicado pelo portal jornalístico The Intercept, que coloca em causa a Operação Lava Jato.

Walter Delgatti Neto, preso na última terça-feira juntamente com outras três pessoas, assumiu em depoimento que roubou dados privados de procuradores da Lava Jato e entregou de forma anónima e gratuita para o jornalista norte-americano e fundador do The Intercept Brasil, Glenn Grennwald, segundo uma reportagem publicada pela Folha de S.Paulo.

O jornal brasileiro avançou que a polícia agora trabalha para confirmar se são verdadeiras as informações de Walter Delgatti Neto.

O ex-juiz e atual ministro da Justiça, Sérgio Moro, e membros do grupo de trabalho da Lava Jato estão envolvidos num escândalo, conhecido como "Vaza Jato", que começou em 09 de junho, quando o The Intercept Brasil e outros 'media' parceiros começaram a divulgar reportagens que colocam em causa a imparcialidade da maior Operação contra a corrupção no país.

Baseadas em informações obtidas de uma fonte que não foi identificada, estas reportagens apontam que Moro terá orientado os procuradores da Lava Jato, indicado linhas de investigação e adiantado decisões enquanto era juiz responsável por analisar os processos do caso em primeira instância.

Se confirmadas, as denúncias indicam uma atuação ilegal do antigo magistrado e dos procuradores brasileiros porque, segundo a legislação do país, os juízes devem manter a isenção e, portanto, estão proibidos de auxiliar as partes envolvidas nos processos.

Moro e os procuradores da Lava Jato, por seu turno, negam terem cometido irregularidades e fazem críticas às reportagens do The Intercept e seus parceiros (Folha de S. Paulo, revista Veja, El País e o jornalista Reinaldo Azevedo), afirmando que são sensacionalistas e usam conversas que podem ter sido adulteradas e foram obtidas através de crime cibernético.

Na terça-feira, a polícia brasileira realizou a Operação Spoofing e prendeu Walter Delgatti Neto, Gustavo Henrique Elias Santos, Suelen Priscilla de Oliveira e Danilo Cristiano Marques, após encontrar indícios de que teriam praticado pirataria cibernética contra autoridades do país.

Segundo os investigadores, além de Moro e dos procuradores da Lava Jato, o grupo pirateou telemóveis do Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, e do ministro da Economia, Paulo Guedes, numa ação que terá intercetado comunicações de mais de mil pessoas.