Síria

Dezenas de civis mortos em ataques atribuídos ao regime de Damasco

Dezenas de civis mortos em ataques atribuídos ao regime de Damasco

Pelo menos 22 civis, incluindo oito crianças, foram mortos desde quarta-feira em ataques realizados pelo regime sírio em zonas controladas pelas forças insurgentes no norte da Síria, divulgou hoje uma organização não-governamental (ONG).

"Doze pessoas morreram hoje, incluindo três crianças, em ataques de artilharia contra a localidade de Kafranbel, na província de Idlib", afirmou, em declarações à agência France Presse (AFP), o diretor do Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), Rami Abdel Rahmane.

O representante do observatório também relatou a morte de uma criança em Maaret al-Noomane.

O balanço de vítimas divulgado pela ONG, com sede em Londres, também refere que outros nove civis, incluindo quatro crianças, morreram, na quarta-feira à noite, em ataques ocorridos em várias localidades, nomeadamente no norte da província de Hama e no oeste da província de Alepo.

A província de Idlib e várias áreas das províncias vizinhas de Hama, Alepo e Latakia ainda são controladas por forças insurgentes e o regime de Damasco continua a lutar pelo domínio destas zonas.

Dominadas pela organização 'jihadista' Hayat Tahrir al-Sham (HTS, grupo controlado pelo ex-braço sírio da Al-Qaida), estas zonas foram objeto, em setembro passado, de um acordo firmado entre a Turquia, que apoia as forças rebeldes sírias, e a Rússia, um aliado tradicional da Síria, que visava evitar uma grande ofensiva militar do exército sírio naquela área geográfica.

O acordo pretendia criar uma "zona desmilitarizada" que iria separar os setores insurgentes das áreas controladas pelas forças governamentais adjacentes.

Mas, o acordo foi só parcialmente aplicado por causa da resistência e da recusa dos 'jihadistas' em se retirarem daquela futura "zona tampão".

Desde então o regime sírio liderado por Bashar al-Assad tem conduzido ataques nesta zona, manobras que começaram a ser intensificadas desde fevereiro passado.

Também a Rússia realizou ataques que visaram esta área geográfica. A 13 de março, e pela primeira vez desde a conclusão do acordo entre Ancara e Moscovo, a força aérea russa atacou a cidade de Idlib, tendo matado na altura pelo menos 13 civis, incluindo seis crianças, segundo indicou a OSDH.

Em finais de março, a Amnistia Internacional acusou o regime sírio de ter atacado, com o apoio das forças russas, instalações médicas e uma escola na província de Idlib.

Os alertas sobre a morte de civis nesta região também têm surgido do lado da ONU, nomeadamente do Gabinete de Coordenação dos Assuntos Humanitários (OCHA).

"Só em março, 90 civis foram mortos, quase metade são crianças. Mais de 86.500 pessoas foram deslocadas em fevereiro e março, agravando uma situação humanitária já precária" nesta região, advertiu hoje o OCHA.

Desencadeado em março de 2011 pela violenta repressão do regime do Presidente sírio, Bashar al-Assad, de manifestações pacíficas, o conflito na Síria ganhou ao longo dos anos uma enorme complexidade, com o envolvimento de países estrangeiros e de grupos 'jihadistas', e várias frentes de combate.

Num território bastante fragmentado, o conflito civil na Síria provocou, desde 2011, mais de 370 mil mortos, incluindo mais de 100 mil civis, e milhões de deslocados e refugiados.