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Dietas pouco saudáveis matam mais pessoas do que o tabaco, diz estudo

Dietas pouco saudáveis matam mais pessoas do que o tabaco, diz estudo

Dietas pouco saudáveis causam cerca de 11 milhões de mortes por ano ​​em todo o mundo, mais do que o tabaco, conclui um estudo publicado na quarta-feira na revista científica sobre medicina The Lancet.

A pesquisa faz parte do estudo "Health effects of dietary risks in 195 countries, 1990-2017: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2017" ("Efeitos na saúde dos riscos alimentares em 195 países"), do Instituto de Medições e Avaliação da Saúde (IHME), em Seattle, em Washington, EUA.

Segundo aquele estudo, o maior problema não é a "junk food" ("comida de lixo") que as pessoas comem, mas sim o facto de não incluírem na sua dieta os alimentos mais nutritivos. Os investigadores alertam para essa situação e pedem uma mudança global na política de promoção de vegetais, frutas, frutos secos e legumes.

Apesar de o açúcar e as gorduras serem prejudiciais, a maior parte das mortes deve-se à ausência de alimentos saudáveis ​​na dieta, conclui a pesquisa. Ataques cardíacos e derrames são as principais causas de morte relacionadas com a dieta, seguidas por cancro e diabetes tipo 2.

O estudo esclarece ainda que comer e beber melhor poderia prevenir uma em cada cinco mortes em todo o mundo. Embora as dietas variem de um país para outro, comer poucas frutas e vegetais e muito sódio (sal) é um dos fatores responsáveis por metade das mortes e dois terços dos anos de incapacidade relacionada com a dieta.

"Os nossos resultados mostram que a dieta menos saudável é responsável por mais mortes do que qualquer outro risco global, incluindo o tabaco, destacando a necessidade urgente de melhorar a dieta humana entre as nações", escrevem os investigadores, citados pelo jornal britânico "The Guardian".

Em vez de tentar persuadir as pessoas a reduzir o açúcar, o sal e a gordura, que tem sido "o foco principal do debate sobre a política alimentar nas últimas duas décadas", os autores do estudo sugerem uma maior promoção das opções saudáveis.

Líbano, Israel e Irão dão o melhor exemplo

"Geralmente as pessoas fazem substituições. Quando aumentam o consumo de alguma coisa, diminuem o consumo de outras", afirma Ashkan Afshin, do IHME, o principal autor do estudo.

Os países que têm uma dieta predominantemente mediterrânea comem mais frutas, verduras, frutos secos e legumes, disse Afshin, destacando o Líbano, Israel e Irão entre os que têm melhor desempenho na alimentação.

"Mas nenhum país tem um nível ótimo de consumo de todos os alimentos saudáveis. Mesmo em países com uma dieta mediterrânea, o consumo atual de muitos outros fatores dietéticos não é o ideal", alerta.

O estudo é a análise mais abrangente sobre os efeitos da dieta na saúde alguma vez realizada, garante o IHME. Foram analisados 15 nutrientes, uns melhores e outros piores para a saúde. Os principais fatores de risco são o consumo de muito sal e poucos grãos integrais, frutas, frutos secos e sementes, vegetais e o ácido omega-3 do peixe. Outros fatores de risco são o consumo elevado de carne vermelha e processada e bebidas açucaradas, assim como o baixo consumo de leite e pouca fibra.

Dietas pouco saudáveis foram responsáveis ​​por 10,9 milhões de mortes, o que corresponde a 22% de todas as mortes de adultos em 2017. A doença cardiovascular foi a principal causa, seguida de cancro e diabetes. Quase metade dos mortos - 45% - eram pessoas com menos de 70 anos.

O tabaco foi associado a oito milhões de mortes e a pressão alta esteve ligada a 10,4 milhões de mortes.