Espanha

Dono do terreno e responsável pelo poço onde caiu Julen podem ser condenados

Dono do terreno e responsável pelo poço onde caiu Julen podem ser condenados

A Guardia Civil espanhola está a investigar as circunstâncias em que o pequeno Julen caiu ao poço, em Málaga. O corpo do menino apenas foi encontrado no passado fim de semana, já sem vida. O dono do terreno e o homem responsável por fazer o furo podem ser condenados pela morte do menino.

A pedido do tribunal de Instrução de Málaga, a Guardia Civil vai investigar as circunstâncias que permitiram que o pequeno Julen caísse a um poço ilegal, em Málaga, no dia 13 de janeiro. As autoridades estão concentradas em determinar o grau de responsabilidade do proprietário do terreno onde poço foi feito e de Antonio Sánchez, responsável pela perfuração de vários furos ilegais naquela zona. Os dois podem incorrer numa pena de até quatro anos de prisão, acusados de homicídio por negligência.

Segundo o jornal "El Mundo", os investigadores já têm na sua posse as declarações dos dois homens e estão agora a recolher provas que permitam perceber se estavam cientes de que o poço representava um perigo agravado para o menino e para os familiares que estavam reunidos para um almoço de família.

A juíza, María Elena Sancho, já tem em sua posse um relatório detalhado do Serviço de Proteção da Natureza (Seprona), da Guardia Civil e da Polícia Judiciária de Vélez- Málaga. Nos documentos ficou provado que tanto o poço, aberto a 18 de dezembro, como as obras que se realizaram nos dias anteriores à queda de Julen não tinham autorização.

"Será o juiz a determinar, mas nós conseguimos compreender que o dono do terreno estava consciente da existência do poço, autorizando, ainda assim, as obras ilegais que motivaram o deslocamento da pedra que tapava o furo. Organizou um encontro com familiares, juntando várias crianças, sem colocar qualquer sinalização no local", explicou, ao "El Mundo", fonte próxima ao processo.

Na primeira vez que prestaram declarações às autoridades, tanto o dono da obra como o homem responsável pela perfuração do poço se responsabilizaram mutuamente. "O Antonio Sánchez disse-nos que tinha sido informado pelo dono do terreno de que tinha todas as licenças. O proprietário dos terrenos alegou que o Antonio lhe tinha garantido que tudo estava legal", disse a mesma fonte.

Nos dias seguintes ao incidente, o empresário que fez o furo de água onde a criança caiu garantiu, ao jornal "El Español", que tinha tapado o buraco com uma pedra, descartando qualquer tipo de responsabilidade no acidente."Faço sempre os meus trabalhos com segurança. Se ninguém tivesse tirado a pedra, a criança não teria caído lá dentro", disse Antonio Sánchez .

O homem, proprietário da Perforaciones Triben, ficou surpreendido quando, depois de chamado ao local da tragédia, reparou que tinha sido aberta uma vala de cinco ou seis metros de diâmetro em torno da cavidade. "Devem ter usado uma retroescavadora para mover aquela pedra. Era impossível que o tivessem feito à mão. Alguém tirou a pedra de lá. Eu não sou culpado pelo que aconteceu", insistiu