Nobel da Paz

Ellen Johnson Sirleaf, a "dama de ferro" da Libéria

Ellen Johnson Sirleaf, a "dama de ferro" da Libéria

Ellen Johnson Sirleaf, de 72 anos, galardoada com o prémio Nobel da Paz, fez história em 2006 como a primeira mulher eleita presidente em África, na Libéria, país saído de 14 anos de guerras civis.

Desde que assumiu funções, iniciou uma 'operação de charme' junto de instituições financeiras internacionais que a conhecem bem: economista formada em Harvard, com quatro filhos e oito netos, Sirleaf trabalhou para as Nações Unidas e para o Banco Mundial.

Ministra das Finanças dos presidentes William Tubman e William Tolbert, nos anos 1960 e 1980, o seu objectivo é acabar com a dívida e atrair investidores para a reconstrução do país, o que conseguiu em parte.

A luta contra a corrupção e por profundas reformas institucionais na mais antiga República da África subsaariana, fundada em 1988 por escravos libertados dos Estados Unidos, esteve sempre no centro da sua acção política.

Este combate, do qual resulta a alcunha "Dama de ferro", valeu-lhe ser presa duas vezes nos anos 1980, sob o regime de Samuel Doe.

Mas a sua tarefa é difícil, devido aos escândalos de corrupção na Libéria e às profundas divisões que resultaram das guerras fratricidas que, de 1989 a 2003, causaram cerca de 250 mil mortos.

O prémio Nobel que lhe foi atribuído confirma a fama que Ellen Johnson Sirleaf tem no estrangeiro e constitui um impulso antes das eleições presidenciais de terça-feira, às quais se recandidata.

Na Libéria, é criticada por não manter as promessas a nível económico e social e, sobretudo, por não se ter envolvido suficientemente na reconciliação do país.

Sirleaf diz pretender continuar o trabalho de reconstrução da Libéria, considerando que o país tem "ainda um longo caminho a percorrer".

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