Protestos

Em Itália foi dia de marchas e concentrações de antifascistas e extrema-direta

Em Itália foi dia de marchas e concentrações de antifascistas e extrema-direta

A Itália viveu, este sábado, a pouco mais de uma semana das eleições legislativas de 04 de março, um dia de marchas e concentrações de antifascistas e de forças da extrema-direita, além do encontro do líder da Liga Norte, Matteo Salvini.

As principais marchas e concentrações realizaram-se em Roma, onde se juntaram milhares de antifascistas, Milão, onde decorreu o encontro promovido pelo partido de extrema-direita Liga Norte, e Palermo (na Sicília).

Na capital italiana, num dia de chuva, cerca de 20 organizações manifestaram-se sob o lema 'fascismo nunca mais, racismo nunca mais', fazendo-o com a participação de figuras dos partidos de esquerda, rivais nas eleições.

Entre os participantes na manifestação de Roma estiveram elementos do Governo em funções, como o primeiro-ministro, Paolo Gentiloni, o líder do Partido Democrata, Matteo Renzi, que defendeu a importância de participar na iniciativa, e membros do Livres e Iguais, lista de esquerda contrária a Renzi.

Em Milão, a iniciativa principal foi o encontro com o qual o líder da Liga Norte, Matteo Salvini, quis oferecer uma demonstração de força perante milhares de seguidores da praça do Duomo [catedral] da cidade.

Salvini, que se apresenta nas eleições com Silvio Berlusconi numa coligação de direitas, que as sondagens dão como vencedora, embora sem maioria, prognosticou que o seu partido será a força de direita mais votada, e, por essa razão, encenou a sua nomeação como primeiro-ministro.

A poucos metros de distância, junto ao castelo, a formação neofascista Casapound celebrava um ato eleitoral e, numa rua próxima, a extrema-esquerda concentrava-se para denunciar a presença desta ideologia na cidade.

Desde 03 de fevereiro, quando um jovem italiano, com ligações a movimentos de extrema-direita, atingiu a tiro seis imigrantes africanos, na cidade de Macerata (no centro de Itália), multiplicaram-se os incidentes entre militantes antifascistas e de extrema-direita.

Na quinta-feira, confrontos entre polícias e manifestantes fizeram pelo menos três feridos em Turim, nordeste de Itália.

Segundo fontes judiciais, os incidentes deram-se quando estudantes se juntaram para protestar contra a realização de uma reunião no centro da cidade do movimento de extrema-direita Casapound. Os confrontos terminaram com três polícias feridos e dois estudantes detidos.

No mesmo dia, em Brescia (norte), desconhecidos provocaram um incêndio num centro associativo de extrema-esquerda, segundo a associação italiana de 'partisans', movimento antifascista com origem na resistência.

Em Palermo, um responsável local de um movimento de extrema-direita, Forza Nuova, foi espancado na terça-feira à noite por um grupo de homens encapuzados.

Na mesma noite, dois militantes do mesmo movimento forçaram a entrada nas instalações da televisão La7, exigindo participar num programa de política.

Também na terça-feira, mas em Perúgia (centro), um apoiante do movimento de extrema-esquerda Potere al Popolo (Poder ao Povo) foi ferido num ataque com arma branca quando colava cartazes num subúrbio da cidade.

No dia seguinte, também em Perúgia, confrontos entre apoiantes do Potere al Popolo e do Casapound provocaram pelo menos dois feridos.

Em Bolonha (centro), há uma semana, confrontos entre jovens antifascistas e membros da Forza Nuova terminaram com quatro polícias e seis manifestantes feridos.

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