Tensão

Empresário sérvio bósnio morto em emboscada

Empresário sérvio bósnio morto em emboscada

Um destacado empresário sérvio bósnio que possuía uma firma de segurança privada foi morto com o seu guarda-costas num atentado em que também foi atingido um dos atiradores, referiam os media locais.

Slavisa Krunic, que possuía diversos negócios, incluindo no setor da segurança, foi morto no seu veículo na noite de segunda-feira quando se aproximava de sua casa, nos arredores da cidade bósnia de Banja Luka, a "capital" da Republika Srpska (RS, a entidade sérvia da Bósnia-Herzegovina).

A polícia disse que o empresário, de 48 anos e com quatro filhos, foi conduzido ao hospital, mas não resistiu aos ferimentos.

A polícia também referiu que um dos atacantes foi morto e que o motorista de Krunic ficou gravemente ferido.

Krunic era conhecido como um crítico do partido nacionalista sérvio bósnio no poder e do seu líder, Milorad Dodik.

O empresário acusava Dodik de também contribuir para o aumento das tensões étnicas na Bósnia para desviar as atenções das suas práticas corruptas e insistia que as suas empresas deveriam contratar e prestar serviços a pessoas de todas as etnias.

"Estamos do lado das forças que pretendem construir este país e não destruí-lo", disse Krunic em entrevista recente.

Os media bósnios identificaram o atacante como Zeljko Kovacevic, descrito como um conhecido infrator que deveria cumprir cinco anos de prisão por uma série de roubos, mas libertado devido a um erro burocrático.

O assassinato de Krunic coincide com num período de crescentes tensões na Bósnia-Herzegovina, dividida em duas entidades (RS e Federação bósnia) e três povos constituintes (bosníacos muçulmanos, sérvios e croatas), dirigidos por formações nacionalistas.

As duas entidades partilham um frágil governo central e uma presidência tripartida instalada em Sarajevo.

A situação agravou-se recentemente após a decisão da liderança da RS em formar uma força auxiliar de polícia com cerca de 1.000 membros. A medida seguiu-se à compra de uma grande quantidade de armas automáticas à Sérvia, em 2018.

O ministro da Segurança bósnio Dragan Mektic, membro de um partido da oposição sérvio bósnio e reconhecido crítico de Dodik, disse que o atentado contra Krunic possuir a "assinatura" da elite no poder na RS.

De acordo com mensagens diplomáticas divulgadas pelo WikiLeaks, Krunic disse à embaixada dos EUA em Sarajevo, em 2008, que o círculo próximo de Dodik estava a pressioná-lo para vender o Setor Security, que empregava pessoas de todas as nacionalidades bósnias, e torná-la numa empresa de segurança sob o seu controlo.

De acordo com esta mensagem, Krunic especulava que Dodik "pretendia o controlo sobre os 900 homens em uniforme do Setor Security".

Dodik é atualmente alvo de sanções dos Estados Unidos por "obstrução ativa" ao acordo de Dayton de 1995, que terminou com a guerra civil na Bósnia (1992-95) e dividiu o país em duas entidades com elevado grau de autonomia.