Votação

Espanha: Participação eleitoral pode bater recordes

Espanha: Participação eleitoral pode bater recordes

Cristina Sánchez pede um pincho de tortilla e um café cortado para levar. O almoço é tardio (já passa das quatro da tarde) e tem que ser rápido, para que a designer possa regressar rapidamente à sua mesa eleitoral. A atividade foi intensa durante toda a manhã deste domingo no Colégio Legado Crespo (na zona de Embajadores, em Madrid), onde Cristina exerce de vogal neste dia de eleições gerais. "A afluência está a ser elevada. Houve filas grandes até à hora de almoço", assegura ao JN.

A sensação de alta mobilização era confirmada à medida em que eram conhecidos os números oficiais: às 18h (hora local) a participação subia nove pontos percentuais comparada com 2016, cifrando-se nos 60%. Na Catalunha a participação disparava 18 pontos percentuais para 64%, demonstrando o elevado interesse dos votantes nas eleições mais renhidas da democracia espanhola.

A forte polarização e o empate técnico entre os dois "blocos" de esquerda e direita que aspiram a governar poderá explicar o elevado interesse dos espanhóis em participar na escolha dos 350 membros do Congresso de Deputados e de 208 senadores.

"Em Espanha, uma abstenção baixa costuma beneficiar a esquerda", assinala ao JN Fernando Frade, que aproveitou a menor afluência do princípio de tarde para depositar o seu voto na urna. Este ano, garante, "a esquerda está mobilizada devido ao medo a que a extrema-direita entre no Governo". Contudo, a direita também conta nestas eleições com um elemento mobilizador: afastar Pedro Sánchez (PSOE) da Moncloa, pelo que "a incerteza é grande", admite.

Ao início da tarde já tinham votado os cinco principais candidatos. Todos eles aproveitaram para apelar à mobilização dos eleitores. "Espero que a participação seja muito alta", afirmou Pablo Iglesias, líder do Podemos, depois de votar em Galapagar (Madrid). Na mesma linha, Pedro Sánchez destacou a "importância do voto" depois de depositar o seu numa Escola de Pozuelo de Alarcón, também em Madrid.

Por seu lado, Albert Rivera, líder do Ciudadanos, disse esperar que estas eleições representem "uma nova etapa política para Espanha", enquando que Pablo Casado, do Partido Popular, espera que saia das urnas um "governo estável". Finalmente, o líder do Vox, Santiago Abascal, que poderá ser a surpresa das eleições, considerou que a votação "histórica".