Sri Lanka

Esquelética e doente, elefante com 70 anos é obrigada a animar turistas

Esquelética e doente, elefante com 70 anos é obrigada a animar turistas

Tikiiri é uma elefante com 70 anos que, todas as noites, durante o importante festival budista Esala Perahera, no Sri Lanka, é obrigada pelos tratadores a "abençoar" os turistas que se juntam ao redor das dezenas de paquidermes que participam nos desfiles.

O que ninguém vê, revela a associação de proteção animal "Save Elephant", é que por baixo do fato colorido está um animal subnutrido, que mal consegue caminhar.

"Tikiri participa no desfile todas as noites até tarde, durante dez noites consecutivas, entre o barulho, o fogo-de-artifício e o fumo. Ela caminha muitos quilómetros todas as noites para que as pessoas se sintam abençoadas durante a cerimónia. Ninguém vê o seu corpo com pele e osso e enfraquecido, por causa do fato. Ninguém vê as lágrimas nos olhos, feridos pelas luzes brilhantes que decoram a sua máscara, ninguém vê a sua dificuldade em caminhar, já que as suas pernas estão algemadas enquanto ela caminha", pode ler-se numa denúncia feita no Facebook da organização.

"Como pode ser isto uma bênção ou algo sagrado, quando fazemos outras vidas sofrer?", questiona a fundação "Save Elephant", que fez a denúncia do caso na terça-feira, dia em que se assinalou o Dia Mundial do Elefante.

O uso de elefantes para o turismo na Ásia é alvo de frequentes denúncias de organizações de proteção dos animais, pelas condições precárias em que são mantidos e pelos constantes abusos de que são alvo.

O Camboja vai proibir os passeios de elefantes nas visitas ao templo de Angkor Wat, a maior atração turística do país, a partir de 2020. O governo respondeu a uma petição internacional - que teve mais de 14 mil assinaturas em apenas dois dias - a pedir o fim da exploração dos animais, depois de dois elefantes terem morrido de exaustão nos últimos três anos.

O número de elefantes selvagens no Camboja e noutros países do sudeste da Ásia tem diminuído nos últimos anos devido à caça ilegal, à destruição de habitats naturais e ao conflito entre animais e pessoas, sugerem vários estudos.