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Estados Unidos retiram-se da UNESCO

Estados Unidos retiram-se da UNESCO

Os Estados Unidos anunciaram que decidiram sair da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), acusando a instituição de ser anti-israelita.

Os EUA pretendem manter um estatuto de observador, acrescentou o Departamento de Estado, em vez da sua representação na agência da ONU sediada em Paris.

A diretora-geral da UNESCO, Irina Bokova, lamenta "profundamente" a decisão norte-americana de se retirar da organização. "A universalidade é essencial à missão da UNESCO para construir a paz e a segurança internacionais face ao ódio e à violência, pela defesa dos direitos humanos e da dignidade humana", disse Irina Bokova em comunicado.

Em comunicado, o Departamento de Estado diz ter notificado a diretora-geral da UNESCO da decisão de se retirar da organização e de procurar, em vez disso, "um estatuto de observador" para contribuir com as perspetivas e conhecimentos dos EUA em alguns assuntos que considera importantes, como o património mundial, a defesa da liberdade de imprensa e a promoção da colaboração científica e educação.

"Esta decisão não foi tomada de ânimo leve e reflete as preocupações dos EUA com os atrasos crescentes na UNESCO, a necessidade de uma reforma fundamental da organização e o permanente preconceito anti-Israel" na organização, pode ler-se no comunicado.

O Departamento de Estado diz que a saída entrará em vigor a 31 de dezembro de 2018, permanecendo como membro de pleno direito até então.

Os Estados Unidos suspenderam em 2011 o seu financiamento da UNESCO devido à votação da organização para incluir a Palestina como membro. Atualmente, Washington deve cerca de 550 milhões de dólares (465 milhões de euros) à instituição.

A diretora-geral da UNESCO assinalou que o trabalho da organização é "partilhado pelo povo norte-americano", adiantando que "a parceria entre a UNESCO e os Estados Unidos tem sido profunda porque se baseia em valores partilhados".

"Apesar da retenção de fundos, desde 2011, aprofundámos a parceria entre os Estados Unidos e a UNESCO, que nunca foi tão significativa", insistiu Irina Bokova.

A responsável disse que o trabalho da UNESCO "é fundamental para fortalecer os laços do património comum da humanidade face às forças do ódio e da divisão".

Assim, considerou "profundamente lamentável" que os Estados Unidos se retirem da organização "numa altura em que a luta contra o extremismo violento exige um renovado investimento na educação, no diálogo entre as culturas para evitar o ódio".

A saída dos Estados Unidos é "uma perda para a UNESCO", "uma perda para a família das Nações Unidas", "uma perda para o multilateralismo", declarou Irina Bokova no comunicado.

Washington tinha avisado no início de julho da sua intenção de reexaminar a sua ligação à UNESCO após a decisão de declarar a cidade velha de Hébron, na Cisjordânia ocupada, "zona protegida" do património mundial. A embaixadora norte-americana na ONU, Nikki Haley, qualificou então a decisão de "afronta à História" e considerou que lança "ainda mais descrédito sobre uma agência da ONU já altamente discutível".

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