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EUA ameaçam Irão com "resposta muito forte" a qualquer ataque no Golfo

EUA ameaçam Irão com "resposta muito forte" a qualquer ataque no Golfo

John Bolton, consultor de segurança nacional do presidente dos EUA, Donald Trump, avisou esta quarta-feira o Irão de que qualquer ataque militar no Golfo Pérsico provocará uma "resposta muito forte" norte-americana.

Teerão já reagiu a esta ameaça dos EUA, dizendo que Trump está a empurrar o Irão para uma guerra que, a acontecer, será "catastrófica" para a região, nas palavras do vice-ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, citado pela agência de notícias semi-oficial ISNA.

Os comentários de John Bolton acontecem num momento de escalada de tensão entre os dois países, mas também dois dias depois de Donald Trump ter dito que não queria atacar o Irão.

O assessor de Trump admitiu mesmo aumentar a presença militar no Golfo Pérsico, para onde os EUA enviaram recentemente um porta-aviões e reforçaram o contingente de tropas.

Em conversa com os jornalistas, em Abu Dhabi, nos Emiratos Árabes Unidos, Bolton voltou a acusar o Irão de estar por detrás da sabotagem a quatro barcos no Golfo Pérsico e descreveu a decisão de Teerão se afastar do acordo nuclear de 2015 como uma prova das intenções bélicas do Irão.

Bolton admitiu a hipótese de o Irão repetir estas manobras de sabotagem ou mesmo atacar as forças militares norte-americanas na região, deixando um aviso sério: "Quero deixar muito claro ao Irão e aos seus representantes que esse tipo de atitude conduzirá a uma resposta muito forte dos Estados Unidos".

O Irão já tinha refutado a autoria dos atos de sabotagem, acusando os EUA de fazerem denúncias "risíveis", para as quais não possuem provas.

Em resposta, esta quarta-feira, Bolton interrogou os jornalistas com quem conversou em Abu Dhabi: "Quem mais acham que o poderia ter feito? Alguém do Nepal?!".

Bolton denunciou ainda o regresso do Irão ao seu programa nuclear, dizendo que o facto de Teerão ter admitido o aumento de produção de urânio enriquecido é prova de que vai aumentar o número de fábricas nucleares.

As declarações do consultor de Trump levaram, horas depois, Abbas Araghchi a concluir que "os Estados Unidos estão a procurar uma guerra com o Irão", embora não tenha pormenorizado as razões dessa intenção.

O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano disse que não tem havido negociações com os EUA, diretas ou indiretas, e acrescentou que o seu governo está pronto para conversar com qualquer país do Golfo Pérsico, para procurar uma solução para a atual crise diplomática.

O presidente iraniano, Hassan Rouhani, disse ainda que não estão fechadas as portas para as negociações com os EUA, desde que os norte-americanos regressem ao acordo nuclear, que abandonaram em 2018.

No final de uma reunião, em Teerão, Rouhani disse que "a estrada está aberta para eles desde que ponham de lado as sanções cruéis e regressem à mesa das negociações".