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EUA analisam decisão "preocupante" de El Salvador em aliar-se à China

EUA analisam decisão "preocupante" de El Salvador em aliar-se à China

A embaixadora dos Estados Unidos em El Salvador anunciou, esta terça-feira, que Washington está a analisar a decisão preocupante daquele Estado em estabelecer relações diplomáticas com a China e romper com Taiwan.

"Os Estados Unidos estão a analisar a decisão de El Salvador. É preocupante por muitas razões, entre as quais se inclui a decisão de romper uma relação com mais de 80 anos", afirmou Jean Manes.

"Sem dúvida, isto terá impacto na nossa relação com o Governo salvadorenho", acrescentou, nas redes sociais.

A diplomata advertiu, em julho passado, para a "alarmante estratégia de expansão" económica e militar da China na América Latina.

O Presidente de El Salvador, Salvador Sanchez Ceren, anunciou num discurso na rádio e na televisão nacionais que o Governo decidiu "romper as relações com Taiwan", que era um dos principais parceiros do país em tecnologia, saúde, agricultura e educação.

"Anuncio a decisão do meu Governo de romper as chamadas relações diplomáticas, mantidas até à data, entre a República de El Salvador e Taiwan, e estabelecer relações diplomáticas com a República Popular da China", afirmou.

Países que mantêm relações diplomáticas com Pequim não podem reconhecer Taiwan e vice-versa.

Taiwan, a ilha onde se refugiou o antigo governo chinês depois de o Partido Comunista tomar o poder no continente, em 1949, assume-se como República da China, mas Pequim considera-a uma província chinesa e ameaça usar a força caso declare independência.

O anúncio do Governo não foi bem recebido pela oposição, que apontou possíveis represálias por parte dos EUA.

"A rutura das relações diplomáticas com Taiwan é uma notícia com forte impacto na comunidade internacional, (...) isto pode ter repercussões com o nosso principal parceiro comercial, os Estados Unidos", afirmou o presidente do Congresso de El Salvador, Norman Quijano, do partido de oposição, Alianza Republicana Nacionalista.

Em 2017, El Salvador exportou 2,6 mil milhões de dólares (2,2 mil milhões de euros) em produtos e serviços para os Estados Unidos, e importou 3,4 mil milhões.

A decisão de El Salvador reduz para 17 o número de países que mantêm laços com Taiwan, que vive um período de renovadas tensões com Pequim, desde a vitória de Tsai Ing-wen, do Partido Democrático Progressista (DPP), pró-independência, nas eleições presidenciais em Taiwan, em 2016.

Sob o mandato de Tsai, cinco estados romperam relações diplomática com Taipé, incluindo São Tomé e Príncipe.

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