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Europa atenta às eleições deste domingo na Alemanha

Europa atenta às eleições deste domingo na Alemanha

Angela Merkel deverá ver, este domingo, confirmada a sua popularidade interna nas urnas. As sondagens dão-lhe uma vitória confortável nas eleições legislativas, embora possa ter de mudar de parceiro de coligação.

Mais do que nunca, os olhos da Europa estarão este domingo concentrados na Alemanha. Há a expectativa de que, mesmo que Merkel vença estas eleições legislativas - e sobretudo se tiver de procurar um novo parceiro de coligação -, a Alemanha aceite um aligeirar das medidas de austeridade para os países que estão sob assistência financeira, como é o caso de Portugal.

Mas João-Pedro Dias, especialista em assuntos europeus, considera que estas expectativas são "desmesuradamente otimistas".

"A política europeia alemã não irá mudar por via das eleições, mas apenas quando a Alemanha começar a sentir a crise económica", vaticina. "O eleitorado não sente necessidade de a castigar".

As últimas sondagens dão uma vitória clara à CDU (União Democrata-Cristã), o que significa que os alemães mantêm a confiança na política em que a chanceler tem apostado.

"Os alemães não estão disponíveis para a rutura e Merkel é uma pessoa muito popular no país, ao contrário do que possamos pensar", sublinha Ana Isabel Xavier, investigadora na área dos assuntos europeus.

"Além disso, o tema da política europeia não é importante para os alemães amanhã decidirem o seu sentido de voto. Sê-lo-á para as eleições europeias previstas para maio", esclarece.

A dúvida que se deverá manter até ao fecho das urnas prende-se com os partidos com os quais a CDU poderá coligar-se. Os liberais democratas (FDP) - parceiros tradicionais - caíram nas sondagens. Durante a semana, a chanceler praticamente pôs de parte uma aliança com o FDP e apelou ao voto útil nos democratas-cristãos.

A alternativa poderá ser a chamada "grande coligação" com o SPD, à semelhança do que aconteceu no primeiro mandato de Merkel (2005--2009). O candidato social-democrata, Peer Steinbrück, foi ministro das Finanças nesse período e "foi com esse governo que a Alemanha começou a mudar a agulha", lembra João-Pedro Dias.

Quanto ao que uma coligação dessa natureza poderá significar para a Europa, o mesmo investigador adianta que "é uma ilusão pensar que os dois candidatos têm posturas diferentes em relação à política económica europeia".

Ana Isabel Xavier não é tão taxativa: "A questão de suavizar algumas medidas de austeridade poderá depender do parceiro de coligação".

A grande surpresa de amanhã poderá ser um pequeno partido formado em fevereiro deste ano. O AfD (Alternativa para a Alemanha), um partido claramente antieuropeia, poderá conseguir os 5% de votos necessários para ter assento parlamentar. Se vencer estas eleições e cumprir o mandato até ao final, Angela Merkel será a mulher que há mais tempo estará à frente de um governo na Europa, destronando Margaret Tatcher.

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