Irlanda do Norte

Ex-soldado britânico vai ser julgado por crimes do "Domingo Sangrento"

Ex-soldado britânico vai ser julgado por crimes do "Domingo Sangrento"

Um antigo soldado britânico vai ser julgado pela morte de dois civis, em 1972, durante os acontecimentos conhecidos como "Bloody Sunday", em que 13 pessoas foram abatidas em Derry, Irlanda do Norte, pelos militares.

A Procuradoria da Irlanda do Norte concluiu que existe matéria suficiente para processar um dos militares britânicos identificado como "soldado F", que vai ser acusado da morte de duas pessoas e tentativa de assassinato de outros quatro civis.

As provas sobre o envolvimento de 16 soldados britânicos e de dois antigos membros do IRA (Exército Republicano Irlandês) foram consideradas "insuficientes".

No dia 30 de janeiro de 1972, um domingo, os soldados britânicos abriram fogo contra uma marcha pacífica que decorria no bairro católico de Bogside, Derry, Irlanda do Norte.

Na sequência dos disparos 13 pessoas morreram no local e 15 pessoas ficaram feridas, um dos quais acabou por não resistir aos ferimentos.

Os acontecimentos de 30 de janeiro de 1972 ficaram conhecidos como "Bloody Sunday" ("Domingo Sangrento").

O conflito na Irlanda do Norte, entre republicanos nacionalistas e unionistas fizeram mais de 3.500 mortes em três décadas.

O acordo de paz de 1998 (Acordo da Sexta Feira Santa) pôs fim ao conflito, prevendo, entre outros aspetos, a libertação de cerca de 500 paramilitares republicanos e unionistas.

Atualmente, o regime sobre infrações refere-se ao período entre 1973 e 1998, mas o governo britânico propôs recentemente um projeto de lei que visa alargar o período de infrações a começar em 1968, abrangendo, assim, os acontecimentos de 30 de janeiro de 1972 ("Bloody Sunday").