Crise

Exilados na Venezuela condenam "ingerência" e "tom bélico" da Rússia

Exilados na Venezuela condenam "ingerência" e "tom bélico" da Rússia

A Organização de Venezuelanos Perseguidos Políticos em Exílio (Veppex) expressou esta quarta-feira a sua repulsa pela "ingerência da Rússia" na Venezuela e pelo "tom bélico" usado contra os países que reconheceram Juan Guaidó como presidente interino do país.

"A Rússia está a provar o seu nível de influência na região e deixá-los levar a cabo os seus planos seria um fator desestabilizador para todo o hemisfério", considerou, em comunicado, o grupo de exilados venezuelanos, com sede em Miami, nos Estados Unidos.

Para a Veppex, o tom beligerante da declaração emitida recentemente pelo Senado russo, que referiu que uma intervenção militar na Venezuela seria interpretada como "um ato de agressão", representa uma "ameaça direta para todas as nações" que não reconheçam Nicolás Maduro como presidente.

Por isso, o grupo de exilados pediu uma "reação", de acordo com o "perigo que representa a ameaça russa no continente".

A organização recordou que a administração do Presidente norte-americano, Donald Trump, mantém "todas as opções sobre a mesa" e que este é o momento para que se usem "as mais firmes" para combater a "ameaça" que a "invasão" russa na Venezuela representa para a "segurança nacional" dos Estados Unidos.

A Veppex instou a Assembleia Nacional venezuelana a declarar "non grata" a presença de militares russos no país e a população a considerar "inimigos do povo venezuelano" os militares russos que estão no país.

Na terça-feira, a Assembleia Nacional Constituinte da Venezuela, composta apenas por apoiantes do governo do presidente Nicolas Maduro, aprovou, sem o dizer expressamente, a retirada de imunidade a Juan Guaidó, reconhecido por mais de 50 países como o presidente interino.

O fórum 'chavista' deu luz verde para a continuação do julgamento, depois de o presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Maikel Moreno, pedir a retirada da imunidade parlamentar a Guaidó, declarando-o em desobediência do tribunal.

O Governo alemão condenou hoje a retirada de imunidade a Guaidó e exigiu a garantia da sua segurança e integridade pessoal, assim como a dos seus seguidores.

A crise política na Venezuela agravou-se em 23 de janeiro, quando o líder da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, se autoproclamou presidente da República interino e declarou que assumia os poderes executivos de Nicolás Maduro.

Guaidó, 35 anos, contou de imediato com o apoio dos Estados Unidos e prometeu formar um governo de transição e organizar eleições livres.

Nicolás Maduro, 56 anos, no poder desde 2013, recusou o desafio de Guaidó e denunciou a iniciativa do presidente do parlamento como uma tentativa de golpe de Estado liderada pelos Estados Unidos.

A maioria dos países da União Europeia, entre os quais Portugal, reconheceram Guaidó como presidente interino encarregado de organizar eleições livres e transparentes.

Esta crise política soma-se a uma grave crise económica e social que levou 2,3 milhões de pessoas a fugirem do país desde 2015, segundo dados da ONU.

Na Venezuela, antiga colónia espanhola, residem cerca de 300 mil portugueses ou lusodescendentes.