Reações

"Fanática decisão de Trump" lança Médio Oriente num "círculo de fogo"

"Fanática decisão de Trump" lança Médio Oriente num "círculo de fogo"

O Hamas anunciou a intenção de pegar outra vez em pedras, enquanto das montanhas rochosas do Afeganistão e dos desertos empoeirados do Iraque se ouvem palavras de ira e incitamento à violência contra os norte-americanos no Médio Oriente. Previdente, Israel anunciou um reforço militar na Cisjordânia, quando começam as primeiras manifestações nas ruas daquele território ocupado.

O Mundo Árabe agita-se em desconforto com a decisão e Donald Trump em mudar a embaixada dos EUA de Telavive para Jerusalém, validando a cidade santa de muçulmanos, judeus e cristãos como capital de Israel.

"Fazer isso é lançar a região para um círculo de fogo", afirmou o Presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, em declarações aos jornalistas, no aeroporto de Ancara.

"Trump, o que é que tu queres fazer? Os líderes políticos não estão lá para agitar as coisas, mas antes para as pacificar. Agora, com estas declarações, Trump cumpre as funções de uma batedeira", disse Erdogan, perante uma multidão que exibia cartazes com mensagens como "Abaixo Israel" ou "Não te rendas, a nação apoia-te".

O Presidente turco recordou a convocatória de uma cimeira extraordinária de líderes da Organização para a Cooperação Islâmica, a ter lugar na quarta-feira na cidade de Istambul, para abordar a questão, indicando que se planeiam também "atividades depois" dessa reunião.

Decisão injustificada e irresponsável

A Arábia Saudita considera "injustificada e irresponsável", a decisão de Donald Trump. "O reino exprime o seu profundo desagrado após a decisão de reconhecer Jerusalém como capital de Israel, Ele já alertou para as graves consequências que pode ter essa decisão", lê-se num comunicado do Palácio Real citado por órgãos de comunicação estatais.

O rei Salman advertiu na quarta-feira para as consequências da decisão norte-americana, falando de um "passo perigoso" que provavelmente provocará a ira dos muçulmanos em todo o mundo.

Premonitórias palavras, conhecidas horas antes de o Hamas anunciar que a única forma de "combater o sionismo" é voltar a pegar nas pedras e de uma milícia xiita iraquiana anunciar a intenção de atacar tropas norte-americanas.

"A decisão de Trump sobre Al-Qods (Jerusalém) legitima um ataque às forças americanas no Iraque", disse Akram al-Kaabi, líder da milícia de Noujaba, movimento fundado em 2013 e apoiado militarmente pelo Exército dos Guardiões da Revolução Islâmica, a tropa de elite do regime iraniano que espalhou o terror nos tempos do ditador Saddam Hussein.

"A decisão louca de Trump de fazer de Jerusalém a capital dos sionistas reaviva a insurreição para eliminar essa entidade do corpo da nação islâmica", acrescentou al-Kaabi, num comunicado que visa os cerca de quatro mil soldados norte-americanos destacados no Iraque na sequência da ofensiva do Estado Islâmico em 2014.

Das montanhas rochosas do Afeganistão, fez-se ouvir a voz dos talibãs afegãos à "fanática e imprudente" decisão do Presidente dos Estados Unidos.

"Esta decisão de Trump vai avivar as chamas do conflito em todo o mundo, especialmente no Médio Oriente", afirmaram os talibãs em comunicado. "O Emirado Islâmico do Afeganistão [como se autodenominam os talibãs] apela a todos os muçulmanos e países islâmicos para que declarem a sua solidariedade para com Beit al-Maqdis [Jerusalém em árabe] e apoiem a resistência legal da oprimida nação palestiniana", diz o mesmo comunicado, citado pela agência de notícias espanhola Efe.

Israel agradece a Trump e reforça segurança na Cisjordânia

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, considerou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, "entrou para sempre na história" de Jerusalém, ao reconhecer a cidade como a capital de Israel, tornando-se no único país do mundo a tomar essa decisão, que representa uma rutura com décadas de neutralidade da diplomacia norte-americana no âmbito do dossiê israelo-palestiniano.

Nesse sentido, Trump ordenou a transferência da embaixada norte-americana de Telavive para Israel, uma posição que desencadeou uma série de críticas da comunidade internacional e fez disparar a tensão na região.

Previdente, o militarizado estado de Israel anunciou que vai destacar forças suplementares na Cisjordânia. Um porta-voz do exército israelita indicou que os batalhões adicionais vão ser enviados para aquele território ocupado e que outras forças estarão prontas para intervir, depois de o controverso anúncio de Donald Trump ter levantado receios de uma onda de violência.

Na Cisjordânia as manifestações já começaram, com as forças da ordem a reprimir ataques, maioritariamente, de jovens insatisfeitos que atiram pedras aos militares e polícias israelitas.