Povo de luto

Fêmea elefante mais "adorada no Japão" morreu aos 69 anos

Fêmea elefante mais "adorada no Japão" morreu aos 69 anos

Hanako, a fêmea elefante mais velha e respeitada no Japão, "morreu tranquilamente", aos 69 anos, deixando os japoneses de luto, após muitos protestos contra o seu cativeiro.

A elefante Hanako, palavra que significa "Criança Flor" em japonês, tornou-se uma causa célebre durante o ano passado devido a uma campanha internacional para melhorar as suas más condições de vida durante o seu envelhecimento em cativeiro.

A causa de morte não foi conhecida imediatamente, disseram à agência noticiosa francesa AFP os seus tratadores, explicando que será realizada uma autópsia e o corpo do animal doado para um centro médico de pesquisa.

De acordo com os "Recordes do Guinness", o elefante mais velho conhecido foi Lin Wang, um espécime asiático que viveu até aos 86 anos e que morreu em 2003, no zoológico de Taipei. Elefantes de cativeiro têm uma esperança de vida mínima de 40 anos.

Os admiradores enlutados juntaram-se na sexta-feira no Inokashira Park Zoo, em Tóquio, para prestarem homenagem, juntamente com mais de 70 cartões de condolências deixados pelos simpatizantes para Hanako.

"Os fãs estão a visitar o parque para colocarem flores em frente ao recinto de Hanako", disse o responsável pela informação e educação do zoológico, Hiroshi Mashima.

Hanako morreu sexta-feira, após 20 membros da equipa de tratadores, com a ajuda de uma corda, tentarem levantá-la e colocá-la de pé, uma técnica comum utilizada quando os elefantes permanecem deitados no chão, disse Mashima.

Os elefantes podem morrer se permanecerem deitados de lado durante um longo período de tempo, porque podem esmagar os seus órgãos internos, explicou Mashima, afirmando que Hanako "morreu silenciosa e calmamente".

"É realmente uma pena. Ela era o elefante mais amado no Japão", disse a responsável pelo zoo, Kiyoshi Nagai, à agência de notícias Kyodo.

Hanako, que viveu mais do que a esperança média de vida prevê (55-60 anos), tornou-se no ano passado uma "estrela" nos media, após uma publicação de partir o coração de um ativista canadiano defensor dos direitos dos animais ter feito uma petição online, através de um blogue.

"Fiquei chocado e transtornado por ver as condições do seu confinamento. Completamente isolada numa jaula pequena, árida, cimentada, sem qualquer conforto ou estimulação disponíveis ou providos, ela apenas lá permanecia, praticamente sem vida, como uma estátua", escreveu Ulara Nakagawa.

A publicação, juntamente com a fotografia do olhar triste de Hanako, tornou-se viral e mais de 400 mil pessoas assinaram a petição, denominada "Ajudem a Hanako".

A elefante foi adquirida pelo Japão em 1949, como uma prenda do governo tailandês, quando tinha apenas dois anos, e a sua história foi transformada em livros para crianças e num drama de televisão.

Hanako tem também um passado sombrio, quando, em 1956, um homem, sobre o efeito de bebidas alcoólicas, se infiltrou, durante a noite, na jaula, forçando os seus tratadores a mantê-la acorrentada durante cerca de seis meses.

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