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Filho de Kadafi propõe entregar-se ao Tribunal Penal internacional

Filho de Kadafi propõe entregar-se ao Tribunal Penal internacional

O filho do antigo ditador líbio Muammar Kadafi, Seif al-Islam, cujo paradeiro continua desconhecido, propôs entregar-se ao Tribunal Penal Internacional (TPI), em Haia (Holanda), afirmou um alto responsável militar do Conselho Nacional de Transição.

"Está a propor um processo de rendição a Haia", afirmou Abdel Majid Mlegta, a partir do território líbio, citado pela agência Reuters.

Em Junho passado, o TPI emitiu um mandado de detenção contra o coronel Kadafi, capturado e morto na passada quinta-feira, por crimes contra a humanidade cometidos na Líbia.

Na mesma altura, os juízes da instância internacional também emitiram mandados de prisão por crimes contra a humanidade em nome de Seif al-Islam e de um cunhado de Kadhafi, Abdallah al-Senussi, chefe dos serviços de informação líbios.

De acordo com o responsável militar das novas autoridades líbias, Abdallah al-Senussi também propôs entregar-se às autoridades internacionais.

Um advogado francês afirmou hoje que a família de Muammar Kadafi está a ponderar apresentar queixa contra a NATO por "crime de guerra" junto do TPI na sequência da morte do antigo dirigente líbio.

O antigo líder líbio, de 69 anos, que fugira de Tripoli em finais de Agosto, foi capturado na passada quinta-feira perto de Sirte (a 360 quilómetros da capital) e foi morto a tiro pouco depois em circunstâncias que ainda não foram completamente esclarecidas.

O advogado Marcel Ceccaldi declarou que na causa desta morte esteve "o facto de helicópteros da NATO terem disparado contra a coluna de veículos em que seguia Kadafi, que foi depois executado".

"O homicídio voluntário é definido como um crime de guerra pelo artigo 8 do Estatuto de Roma do TPI", adiantou o advogado da família Kadafi sem referir quando será apresentada queixa.

Muammar Kadafi foi enterrado na Líbia na noite de segunda-feira em local secreto, enquanto a polémica em torno da sua morte continua.

O CNT afirma que o antigo líder líbio foi morto com uma bala na cabeça durante uma troca de tiros, mas testemunhos e vídeos feitos após a sua captura dão a entender que Kadhafi pode ter sido vítima de uma execução sumária.

Várias organizações internacionais, incluindo a ONU, reclamaram um inquérito ao ocorrido e o presidente do CNT, Mustafa Abdeljalil, anunciou na segunda-feira a formação de uma comissão de inquérito.