Justiça

Francês condenado a um ano de prisão por contestar existência do Holocausto

Francês condenado a um ano de prisão por contestar existência do Holocausto

A justiça francesa condenou esta segunda-feira o ensaísta francês de extrema-direita, Alain Soral, a um ano de prisão, com mandado de detenção, por contestar a existência do Holocausto.

Alain Soral, cujo nome verdadeiro é Alain Bonnet, foi condenado por contestar a existência do Holocausto e por publicar no seu portal na Internet conclusões litigiosas do seu advogado num outro caso.

Segundo a agência de notícias France-Presse, o ensaísta francês não esteve presente na leitura das deliberações do Tribunal Penal de Paris.

O seu advogado, Damien Viguier, foi condenado a uma multa de cinco mil euros por cumplicidade, devido ao conteúdo das suas conclusões.

O Tribunal foi além da acusação do Ministério Público contra Soral, já condenado, em várias ocasiões, nomeadamente por incitar ao ódio racial.

Na audiência, em 05 de março, a acusação tinha pedido seis meses de prisão contra Alain Soral e uma multa de 15 mil euros contra o seu advogado.

Ambos terão que pagar um euro simbólico de danos a quatro associações antirracistas, assim como 1.500 euros para despesas judiciais, solidariamente, para cada uma das associações.

Em 2016, o portal de Soral, Igualdade e Reconciliação, publicou um desenho em que representa uma primeira página de jornal intitulada Chutzpah Hebdo com a cara de Charlie Chaplin diante da estrela de David e em que questiona "Holocausto onde estás?", aludindo à controversa capa de 30 de março de 2016, do jornal satírico Charlie Hebdo, em que se pergunta "Pai, onde estás?", após os ataques em Bruxelas.

Por esta publicação, Soral foi condenado a pagar 10 mil euros de multa, com a possibilidade de prisão em caso de falta de pagamento.

Em novembro de 2017, o portal publicou as conclusões de Damien Viguier neste caso, que incluiu um sapato e uma peruca representada no desenho.

"Os sapatos e os cabelos referem-se a lugares de memória organizados como locais de peregrinação, são encenações para desencadear emoções", indicou o advogado, acrescentando que "o corte de cabelo é praticado em todos os locais de concentração e é explicado pela higiene".

Sobre dois outros elementos do desenho, "o sabão e o abajur", o advogado alegou que os sabonetes feitos de gordura humana pelos nazis ou os abajures em pele humana eram apenas "propaganda de guerra".