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Funcionários públicos protestaram em Madrid contra os cortes salariais

Funcionários públicos protestaram em Madrid contra os cortes salariais

Milhares de funcionários públicos manifestaram-se hoje, quinta-feira, em frente ao Ministério da Economia, em Madrid, contra as reduções de salários anunciadas pelo governo espanhol.

Concentrações similares aconteceram em outros locais de Espanha, antecipando a greve da função pública anunciada para 08 de Junho pelos sindicatos.

Com bandeiras das duas principais centrais sindicais, a CCOO e UGT, e do sindicato independente CSIF, milhares de funcionários bloquearam às 18 horas (17 horas em Lisboa) a rua de Alcala, em plena baixa de Madrid, perto da turística Puerta del Sol.

Com recurso a buzinas e sirenes, protestaram contra a baixa de cinco por cento dos salários que o governo de José Luis Rodriguez Zapatero quer impor a partir de Junho no quadro das medidas de austeridade.

"É muito injusto. Havia outras medidas possíveis", lamentou Diego, um professor em Madrid. "Nós não especulámos", declarou.

"A crise não ocorreu por causa dos funcionários públicos, mas sim por causa dos mercados financeiros", sublinhou Carlos, empregado no Ministério da Economia.

Sob a pressão dos mercados e dos seus homólogos europeus, José Luis Rodriguez Zapatero anunciou na última semana medidas de austeridade suplementar para tentar acelerar a redução do défice público, que disparou para o equivalente a 11,2% do produto interno bruto (PIB) em 2009.

Este défice, conjugado com fracas perspectivas de crescimento para os próximos anos, faz de Espanha um dos elos fracos da Zona Euro, com certos investidores a recearem um contágio da crise grega.

No momento em que os funcionários públicos protestavam, o governo estava reunido em conselho de ministros para aprovar, por decreto-lei, estas medidas para 2010 e 2011, que também incluem ainda o congelamento da revalorização de algumas pensões de reforma em 2011 e o adiamento de investimentos públicos em infra-estruturas.