Denúncia

Fundos retidos em Portugal financiavam grupos paramilitares da Venezuela, diz Guaidó

Fundos retidos em Portugal financiavam grupos paramilitares da Venezuela, diz Guaidó

O presidente do parlamento da Venezuela, o opositor Juan Guaidó, denunciou que há fundos retidos em bancos de Portugal e Espanha que o Governo do país usava para financiar grupos paramilitares e repressão.

Sem fazer referência às entidades bancárias envolvidas ou aos valores "protegidos" na Península Ibérica, o autoproclamado presidente interino da Venezuela disse que "com estes fundos, o regime financiava grupos paramilitares e coletivos (motociclistas armados afetos ao regime), que perpetravam a repressão".

Guaidó falava no fórum global Conferências do Estoril, que começou esta segunda-feira em Cascais, iniciando a intervenção por videoconferência com um "obrigado" em português, pela "oportunidade para falar sobre a crise na Venezuela", que nos últimos seis anos registou uma contração do PIB de 60%.

Guaidó denunciou a presença do Exército de Libertação Nacional da Colômbia em 11 dos 24 Estados da Venezuela e de membros do Hezbollah (organização fundamentalista islâmica xiita do Líbano) e outros grupos paramilitares que garante estarem ligados ao tráfico de droga e armamento. Se continuar, advertiu, esta situação "poderá acentuar uma crise sem precedentes na região, devido à penetração destes grupos irregulares".

Na intervenção, Guaidó sublinhou que "sete milhões de venezuelanos estão em crise" humanitária, o que corresponde a 25% da população, e que, durante seis anos consecutivos, houve uma "emigração alarmante" que levou quatro milhões de venezuelanos para fora do país.

Referiu que os venezuelanos ganham seis dólares por mês (pouco mais de cinco euros) e que, apesar de a Venezuela ser um país produtor de petróleo, a população faz filas de dois e três dias para conseguir combustível, com a produção local a cair de 3,5 milhões diários de barris de petróleo para os atuais 500 mil.

Precisando que há mais de mil presos políticos e que 271 pessoas foram assassinadas em protestos contra o Governo de Maduro, o opositor disse que a Venezuela vive "um dos piores momentos" da sua história, com Caracas a registar uma das taxas mais altas de homicídio do mundo.

Guaidó denunciou ainda que há um alto nível de corrupção e que um só funcionário recebeu 1200 milhões de dólares (cerca de 1070 mil euros) de suborno da construtora brasileira Odebrecht. E acrescentou que os juízes são designados a dedo e alertou que o vice-presidente do parlamento Edgar Zambrano continua sequestrado desde há várias semanas, sem ser apresentado perante um juiz.

O presidente da Assembleia Nacional do país (parlamento) insistiu que a oposição confia plenamente numa rápida recuperação do país, após uma mudança de regime e que é importante um regime de transição para reformar as instituições, para ter eleições livres e para atender à emergência humanitária.