Educação

Governo brasileiro exclui norma da diversidade cultural nos livros escolares

Governo brasileiro exclui norma da diversidade cultural nos livros escolares

O Ministério da Educação brasileiro deixou de exigir ilustrações que retratem a diversidade étnica, social e cultural do país na produção de livros escolares.

A medida consta numa nova versão de um edital que orienta a produção de livros escolares.

As alterações no edital do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) para o ano de 2020 foram publicadas no dia 02 de janeiro e o documento serve de referência para que as editoras produzam as obras didáticas escolares e as apresentem para avaliação do Governo.

Além da remoção da parte relativa ao retrato da sociedade brasileira através de imagens, foi também excluído o compromisso de apelar para a não violência contra as mulheres e a promoção das culturas quilombolas.

Quilombolas são descendentes de escravos que fugiram antes da abolição da escravatura no Brasil e vivem em pequenas comunidades rurais do interior do país, em áreas demarcadas.

Na versão anterior do edital, uma das orientações para as editoras é que fosse promovida "positivamente a imagem da mulher, considerando a sua participação em diferentes trabalhos, profissões e espaços de poder, valorizando sua visibilidade e protagonismo social, com especial atenção para o compromisso educacional com a agenda da não violência contra a mulher".

Numa das suas primeiras medidas como novo ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodriguez eliminou a secretaria responsável por ações de diversidade, como direitos humanos e relações étnico-raciais, criando uma secção denominada alfabetização, que contou com o apoio do presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, nas redes sociais.

"O ministro da Educação desmonta a secretaria da diversidade e cria a pasta da alfabetização. Formar cidadãos preparados para o mercado de trabalho, o foco oposto de governos anteriores, que propositadamente investiam na formação de mentes escravas das ideias de dominação socialista", escreveu Bolsonaro na rede social Twitter na quarta-feira, numa crítica aos governos do Partido dos Trabalhadores.