Catalunha

Governo espanhol recusa ceder a "chantagem" dos independentistas

Governo espanhol recusa ceder a "chantagem" dos independentistas

O Governo espanhol assegurou, na terça-feira, em Madrid que não irá ceder à chantagem dos partidos independentistas catalães que fazem depender a aprovação do Orçamento de 2019 da abertura de conversações sobre a autodeterminação da Catalunha.

"Este Governo não vai ceder a qualquer chantagem por parte de ninguém", disse hoje a ministra da Fazenda, Maria José Montero, no primeiro dia do debate das emendas ao Orçamento Geral de Estado para 2019.

O primeiro-ministro socialista, Pedro Sánchez, poderá ser obrigado a marcar eleições no caso dos separatistas catalães, que em junho passado apoiaram o PSOE a subir ao poder, votarem na quarta-feira contra a proposta orçamental do executivo.

"Em nenhumas circunstâncias vamos aceitar que o direito à autodeterminação da Catalunha apareça" em qualquer documento, insistiu Maria José Montero.

A ministra defendeu o orçamento que afirmou serem "os melhores" dos últimos anos e criticou a direita e os independentistas pela sua oposição ao mesmo.

A votação na quarta-feira pode significar que direita e os independentistas apareçam juntos pela primeira vez para chumbar os orçamentos do Governo de Sánchez.

Pedro Sánchez tornou-se primeiro-ministro em 02 de junho de 2018, depois de o PSOE ter conseguido aprovar no parlamento, na véspera, uma moção de censura contra o executivo do Partido Popular (direita) com o apoio do Unidos Podemos (coligação de extrema-esquerda) e uma série de partidos mais pequenos, entre eles os nacionalistas bascos e os independentistas catalães.

Os socialistas têm apenas 84 deputados num total de 350 e o Unidos Podemos 67, com as últimas sondagens a indicarem que os partidos de esquerda ainda não conseguiriam assegurar uma maioria estável, apesar da subida das intenções de voto no PSOE.

A direita pede insistentemente, desde há meses, a necessidade de eleições antecipadas e lembra que Sánchez, quando fazia parte da oposição, defendia a demissão do Governo no caso de o Orçamento não ser aprovado.

Mesmo o principal apoio parlamentar do PSOE, o Unidos Podemos, sustenta que, se o Orçamento não for aprovado, deveria haver eleições antecipadas.

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