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Grécia quer rasgar a austeridade e deixa Europa em "standby"

Grécia quer rasgar a austeridade e deixa Europa em "standby"

Emparedados entre uma dívida pública gigantesca (317 mil milhões de euros, 175% do Produto Interno Bruto) impossível de pagar, por um lado, e o compromisso de cumprir uma política de austeridade que asfixia o tecido económico e social, por outro, os gregos preparam-se para dar a vitória ao Syriza (acrónimo que significa Coligação de Esquerda Radical).

Ao fazê-lo, estarão a caucionar dois dos compromissos fundamentais do líder esquerdista Alexis Tsipras durante a campanha: convocar uma conferência europeia sobre a dívida, que lhe permita negociar um perdão de cerca de 50%; e desvincular-se dos compromissos de austeridade assumidos com a troika (União Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional).

"É uma escolha. Somos livres de não cumprir os compromissos", lembra o politólogo Pedro Adão e Silva. Sendo certo que, a confirmar-se a escolha, o outro lado, a Europa (sobretudo o bloco liderado pela Alemanha) terá de dar uma resposta. É por isso que o politólogo, ouvido pelo JN, fala em "momento de clarificação". Que pode muito bem passar por não haver qualquer cedência. "Isso também será clarificador. Significa que não vale a pena pensar numa alternativa política, que as eleições são apenas o momento de escolher os melhores gestores. Nunca como agora esteve em causa saber até onde vai a extensão da democracia".

Poder para negociar

A força negocial de Tsipras para tentar impor uma nova agenda política na Europa dependerá também da dimensão da vitória. A última sondagem voltava a colocá-lo em primeiro (ler caixa), mas ainda não o suficiente para chegar à maioria absoluta, mesmo sabendo-se que o sistema eleitoral grego atribui um bónus de 50 deputados (em 300) aos vencedores.

Para chegar à meta dos 151 deputados, o partido esquerdista precisa, cumulativamente, de uma votação algumas décimas superior a 36%, e que a soma dos resultados percentuais dos partidos que não sejam capazes de eleger deputados (ou seja, os que fiquem abaixo da barreira dos 3%), chegue pelo menos aos 10%.

A Grécia vai hoje a votos. Mas o resultado do que for colocado dentro das urnas pelos eleitores não ditará apenas o futuro deste país. As eleições são também "um momento de clarificação" para a Europa.