Caracas

Guaidó conseguiu entrar na Venezuela

Guaidó conseguiu entrar na Venezuela

O autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, chegou na tarde desta segunda-feira ao aeroporto internacional de Caracas, onde era aguardado por uma multidão.

Apoiantes e embaixadores de vários países europeus e latino-americanos esperavam Guaidó em Caracas, segundo imagens transmitidas em direto.

"Já estamos na nossa amada terra! Venezuela, acabamos de passar [o serviço de] migração e vamos para onde está o nosso povo!", escreveu Guaidó na sua página do Twitter.

E, numa outra publicação, acrescentou: "Entramos na Venezuela como cidadãos livres, que ninguém nos diga o contrário. Já sinto o meu sol de La Guaira, o brio da cidade que nos esperava aqui". Guaidó até deixou uma mensagem a tripulantes e passageiros durante o voo para Caracas.

Milhares de pessoas estão nas ruas a manifestar-se contra o regime de Maduro. Guaidó dedicou uma mensagem nas redes sociais aos apoiantes.

"À espera do abraço desse mar de pessoas que nos inspira e nos compromete: as pessoas do meu litoral! Vamos para o mar. E, então, diretos para Caracas", escreveu o autoproclamado presidente interino da Venezuela, desafiando Maduro e arriscando a detenção.

O opositor e presidente da Assembleia Nacional (parlamento), Juan Guaidó, reconhecido presidente interino venezuelano por cerca de 50 países, regressou à Venezuela após um périplo de uma semana por vários países daquela região e sob a ameaça de ser detido pelas forças de seguranças venezuelanas.

O Supremo Tribunal de Justiça da Venezuela (STJ) proibiu, em finais de janeiro, o autoproclamado Presidente interino venezuelano de sair do país.

"Continuamos nas ruas, a mobilização continua! Estamos aqui na Venezuela!", afirmou Juan Guaidó, ao dirigir algumas palavras à multidão, segundo o relato das agências internacionais.

Entre a multidão estavam os embaixadores de alguns países europeus, nomeadamente de França e Alemanha.

"Estamos aqui como testemunhas da democracia e da liberdade para que o presidente Guaidó possa regressar", afirmou o embaixador francês em Caracas, Romain Nadal, pouco antes da chegada do opositor venezuelano.

"Para garantir que o presidente da Assembleia Nacional possa regressar sem incidentes ao seu país", insistiu o representante diplomático da Alemanha em Caracas, Daniel Kriener.

Quase em simultâneo com a chegada de Guaidó ao principal aeroporto venezuelano, milhares de apoiantes do opositor, vestidos de branco e exibindo bandeiras da Venezuela, começaram a concentrar-se nas principais cidades do país, incluindo na capital do país, Caracas, segundo relatou a agência noticiosa francesa France Presse (AFP).

Depois de ter realizado nos últimos dias um périplo por vários países da região (Colômbia, Argentina, Brasil, Paraguai e Equador), Juan Guaidó confirmou no fim de semana a sua intenção de regressar hoje ao território venezuelano "apesar das ameaças" e do risco de uma detenção.

Na mesma ocasião, Guaidó também convocou manifestações para hoje e terça-feira.

A crise política na Venezuela agravou-se em 23 de janeiro, quando Juan Guaidó se autoproclamou presidente da República interino e declarou que assumia os poderes executivos de Nicolás Maduro.

Guaidó contou de imediato com o apoio dos Estados Unidos e prometeu formar um governo de transição e organizar eleições livres.

Nicolás Maduro, no poder desde 2013, denunciou a iniciativa do presidente do parlamento como uma tentativa de golpe de Estado liderada pelos Estados Unidos.

A maioria dos países da União Europeia, entre os quais Portugal, reconheceram Guaidó como presidente interino encarregado de organizar eleições livres e transparentes.

Na Venezuela residem cerca de 300 mil portugueses ou lusodescendentes.

Os mais recentes dados das Nações Unidas estimam que o número atual de refugiados e migrantes da Venezuela em todo o mundo situa-se nos 3,4 milhões.

Só no ano passado, em média, cerca de 5000 pessoas terão deixado diariamente a Venezuela para procurar proteção ou melhores condições de vida.