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Guterres lamenta "proporções deconhecidas" da fome e seca em África

Guterres lamenta "proporções deconhecidas" da fome e seca em África

O Alto Comissário da ONU para os Refugiados considerou, esta quinta-feira, que a seca e a fome no Corno de África representam "um drama de proporções desconhecidas", lamentando a fraca capacidade de resposta da comunidade internacional até agora.

"Estamos angustiados porque aquilo que fazemos não é suficiente quando vemos a dimensão da tragédia. Estamos perante um drama humanitário de proporções desconhecidas", disse o português António Guterres em entrevista à agência noticiosa espanhola EFE.

No campo de refugiados de Dollo Ado (Etiópia), a taxa de mortalidade ronda as 7,4 mortes diárias por cada 100 mil pessoas (uma emergência é declarada quando se chega a uma morte por cada 10 mil).

No sul da Somália, a área mais afectada pela seca, a taxa de subnutrição aguda é de 82% e a mortalidade entre os menores de cinco anos é de quatro por 10 mil, em todas as zonas sobre as quais existem dados.

O responsável da ONU para os refugiados disse que "esta seca não é a primeira nem será a última" e o que "mais impressiona é que, sabendo isto, a comunidade internacional não desenvolveu medidas de prevenção a longo prazo para dar capacidade de resistência às comunidades".

O antigo primeiro-ministro português lembrou que, devido às alterações climáticas, é possível esperar que os desastres naturais, como a seca no Corno de África, sejam mais severos e frequentes.

Sobre a situação na Somália, Guterres assegurou que é complexa e inclui três cenários: os refugiados somalis que fogem para o Quénia, os que atravessam a Etiópia (em ambos os casos são acolhidos em campos geridos pelo ACNUR) e os que continuam no país.

A seca afecta cerca de 12 milhões de pessoas na Somália, Quénia e Etiópia e, em menor proporção, no Djibuti que formam a região conhecida como Corno de África.

Dados divulgados esta quinta-feira pela agência da ONU para os Refugiados, mais de 800 mil somalis estão fora do país, 90% dos quais no Quénia (445 mil), Iémen (191 mil), Etiópia (156 mil) e Djibuti (16.700).

Na Somália, 1,5 milhões de pessoas são agora deslocados internos, dos quais 100 mil fugiram do Sul - a zona mais castigada pela seca - para o interior, incluindo a capital, Mogadíscio.

Em relação às críticas sobre a lentidão da ajuda para as vítimas da fome, Guterres evocou"«as enormes dificuldades logísticas, de acesso e de segurança", mas também a falta de fundos.

Mas, apesar de os novos fundos para a Somália chegarem a um ritmo lento, é "importante reconhecer o apoio que o ACNUR recebe, não só de governos, como da população em geral", disse.