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Guterres visita Caraíbas e diz que intensidade dos furacões vai ser "a nova normal"

Guterres visita Caraíbas e diz que intensidade dos furacões vai ser "a nova normal"

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, vai visitar as Caraíbas devastadas pelos furacões no próximo fim de semana.

Mas já disse que os eventos extremos da estação dos furacões deste ano "vão ser a nova normal num mundo em aquecimento".

O furacão Irma, de categoria 5, devastou a ilha de Barbuda e protagonizou com o furacão Harvey a primeira chegada aos EUA continentais de dois furacões no mesmo ano.

O furacão Maria, por sua vez, dizimou as ilhas de Dominica e Porto Rico.

Guterres disse hoje que "os cientistas sabem cada vez mais sobre as ligações entre as alterações climáticas e os fenómenos meteorológicos extremos".

O chefe da ONU afirmou também que o mundo tem "os instrumentos, as tecnologias e o dinheiro para resolver o problema das alterações climáticas, mas é preciso mais determinação".

Guterres, por outro lado, criticou a resposta internacional aos estragos dos furacões nas Caraíbas, considerando que não esteve à altura das necessidades.

Em setembro, durante a assembleia geral da ONU, vários dirigentes destas ilhas, que têm sido consideradas paradisíacas, reclamaram ajuda às grandes potências acusadas de responsabilidade pelas alterações climáticas.

A ONU lançou um apelo para recolher 113,9 milhões de dólares (77,6 milhões de euros) para responder às necessidades humanitárias mais urgentes para as ilhas afetadas, mas Guterres lamentou "a fraqueza da resposta".

"Um clima mais quente intensifica ainda mais os furacões", declarou Guterres. "Em vez de se diluírem, eles reforçam-se durante a travessia do oceano", salientou.

Em setembro, o primeiro-ministro da Dominica, Roosevelt Skerrit, afirmou na ONU que o seu país, onde morreram várias pessoas, estava "na linha da frente da guerra contra as alterações climáticas".

Gaston Browne, primeiro-ministro de Antigua e Barbuda, falou de Barbuda como uma ilha "dizimada" em 06 de setembro pelo furacão Irma, das duas que conta o seu micro Estado. Situado a norte da ilha de Guadalupe, o seu país contava até aos furacões 80 mil habitantes em Antigua e 1.300 em Barbuda. Depois da evacuação dos seus habitantes para Antigua, pela primeira vez em 300 anos não houve qualquer residente permanente na segunda ilha.

"Quaisquer que sejam as posições dos países sobre as alterações climáticas, a evidência de um aquecimento global é ainda mais irrefutável", acrescentou. Por outro lado, quantificou o custo da reconstrução em 250 milhões de dólares, bem acima das possibilidades da ilha, comparou.

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