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HRW: "António Guterres tem responsabilidades" na situação da Síria

HRW: "António Guterres tem responsabilidades" na situação da Síria

Bruno Stagno Ugarte, diretor executivo adjunto para a Advocacia da Human Rights Watch, e ex-ministro dos Negócios Estrangeiros da Costa Rica, esteve em Fafe para falar desta organização não governamental de defesa dos direitos humanos e centrou muito da sua intervenção no conflito sírio.

Ugarte considera que "a conduta de todas as partes em guerra na Síria é condenável" e compara mesmo o regime de Assad à época medieval, "destruindo construções, sitiando localidades, não permitindo o abastecimento de bens essenciais para depois bombardear por via aérea matando civis indiscriminadamente".

Este clima que se vive já desde 2011 ainda não está solucionado, entende a Human Rights Watch (HRW), porque a ação da ONU tem sido ineficaz. "O Conselho de Segurança da ONU que devia zelar pela paz no mundo já teve seis vetos da Rússia para a investigação das armas nucleares", situação que Ugarte afirma só poder ser ultrapassada se houver pulso firme e coragem por parte do Secretário-Geral. "António Guterres devia conceber um plano para investigar se há armas químicas na Síria sem passar pelo Conselho de Segurança, seguindo o precedente que Perez de Cuellar abriu na década de 90 na guerra Irão/Iraque", justificando que, de outra forma, a ONU fica manietada na ação e não passa das boas intenções. "Guterres tem responsabilidade nesta matéria. Quem usou as armas químicas? Só indo ao terreno é que se sabe", defendeu.

Questionado sobre Donald Trump, numa conversa de café no âmbito do "Fafe Terra Justa - Encontro de Causas e Valores da Humanidade", o dirigente da HRW foi bastante crítico, já que o presidente dos Estados Unidos é "um monte de desafios e de problemas". Bruno Ugarte afirmou que Trump representa "um retrocesso no acolhimento de emigrantes e de refugiados. Tem um discurso racista e xenófobo", mostrando preocupação com o discurso do líder norte-americano favorável à tortura e à manutenção de uma prisão com as características das de Guantanamo.

Bruno Ugarte também alertou para a necessidade de intervenção em conflitos e violações dos direitos humanos no Iémen, na República Democrática do Congo, na Líbia, na Birmânia e noutras latitudes, defendendo que todos os países, e não só as grandes potências, devem encabeçar movimentos de denúncia desses atropelos.

Sobre Portugal, o ex-governante da Costa Rica considerou ser um exemplo para a Europa "porque atravessou uma grave crise económica sem deixar nunca abalar os pilares da democracia, sem populismos", em contraponto com países como a Hungria.

A HRW é umas homenageadas da edição deste ano do Fafe Terra Justa que prossegue na sexta-feira com a homenagem póstuma a Maria de Lourdes Pintasilgo.

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